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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Carlos de Laet: Tarde. Avenida. Gente. Braços nus. (soneto futurista)

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Tarde. Avenida. Gente. Braços nus.
Pequenotas. Decotes. Almofadas.
Futuristas. Alvear. Doces. Coalhadas.
Deputados. Carniças. Urubus.

O Graça. A claque. O Futurismo. Nada.
Taxi. Bonde. Encontro. Cataprús!
Assistência. Meninos. Pouca luz.
Muita prosa. O Futuro. Pataquada.

Céu verde. Mar de leite. Estrela preta.
Mais graça. Mais topete. Lábio azul.
Osório. O velho Alves. A chupeta.

Aranha. Avô. Avó. Ave. Taful!
Ligação. Beira-mar. Potoca. Peta.
Telefone. Afinal, setenta sul... *


* Nota do Organizador: 70  Sul era outrora o número do Hospício Nacional (do Rio de Janeiro) no catálogo telefônico.
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Antologia de Humorismo e Sátira (de Gregório de Matos a Vão Gôgo) — por R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro — RJ; Carlos Maximiliano Pimenta de Laet (1847 1927), nascido no Rio de Janeiro, foi polemista, epigramista, humorista, além de professor, filólogo, homem de imprensa e poeta; bacharel em Letras e formado em Engenharia pela Escola Central (atual Politécnic UFRJ), não seguiu carreira e voltou-se ao magistério e ao jornalismo; trabalhou em diversos periódicos (Diário do Rio, Jornal do Commercio) e também como colaborador e/ou redator na Tribuna Liberal, no Jornal do Brasil, no Jornal do Commercio de São Paulo e na revista Atlântida, nos quais deixou uma vasta produção sobre arte, história, literatura, crítica de poesia e crítica de costumes; considerado ' "pimenta" das mais cáusticas' no mundo literário, nos conta R. Magalhães Junior que o poeta fez uso de muitos pseudônimos, entre eles 'Sic', em O Cruzeiro  jornal que circulou no Império, 'Cosme Peixoto', no tempo do governo Floriano, e 'Cosme de Morais', no tempo do governo Prudente; escreveu e publicou Poesias (1873), Em Minas (1894), Antologia Nacional (em colaboração com Fausto Barreto, 1895), A Descoberta do Brasil (1900), Heresia Protestante (polêmica com o pastor Álvaro Reis, 1907), e outros títulos; opôs-se ao movimento nascido em São Paulo com a Semana da Arte Moderna de 1922, ironizando e combatendo o Modernismo.