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Amiga, amiga! De braço dado
atravessamos o arco-íris.
Quem nos dá esta força que nos impele acima do mar e das montanhas?
Deixamos lá embaixo os bens materiais e a violência da vida.
Amiga, amiga! Teu rosto é semelhante à lua moça,
Há nas tuas roupas um cheiro bom de mato virgem.
Tua fala saiu da caixinha de música dos meus sete anos,
E te empinas no azul com a graça dos papagaios que eu soltava.
Ó amiga! Deixamos o reino dos homens bárbaros
Que fuzilam crianças com bonecas ao colo,
E eis-nos livres, soprados pelos ventos,
Até onde não alcançam os aparelhos mecânicos.
Unidos num minuto ou num século, que importa.
Quem nos dá esta força que nos impele acima do mar e das montanhas?
Deixamos lá embaixo os bens materiais e a violência da vida.
Amiga, amiga! Teu rosto é semelhante à lua moça,
Há nas tuas roupas um cheiro bom de mato virgem.
Tua fala saiu da caixinha de música dos meus sete anos,
E te empinas no azul com a graça dos papagaios que eu soltava.
Ó amiga! Deixamos o reino dos homens bárbaros
Que fuzilam crianças com bonecas ao colo,
E eis-nos livres, soprados pelos ventos,
Até onde não alcançam os aparelhos mecânicos.
Unidos num minuto ou num século, que importa.
Agarrados à cauda de um cometa
percorremos a criação.
Teu rosto desvendou os olhos comunicantes.
Não há mistério: só nós dois sabemos nosso nome,
E as fronteiras entre amor e morte.
Eu sou o amante e tu és a amada.
Não há mistério: só nós dois sabemos nosso nome,
E as fronteiras entre amor e morte.
Eu sou o amante e tu és a amada.
Para que organizar o tempo e o espaço?

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Murilo
Mendes — Poesia, Volume 111 da Coleção Nossos Clássicos, por Maria
Lúcia Aragão, 1983, Livraria Agir Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Murilo Monteiro Mendes (1901 — 1975), mineiro de Juiz de Fora, inicialmente arquivista do
Ministério da Fazenda e bancário do Banco Mercantil, exerceu variadas funções
em missão cultural, tanto no país como no exterior; foi professor, poeta e
prosador, iniciando-se na literatura com textos divulgados nas revistas modernistas Terra
Roxa e Outras Terras, Verde e Antropofagia; seu livro de
estréia, Poemas (1930), foi
premiado na categoria poesia da Fundação Graça Aranha; depois vieram outros
títulos: Tempo e Eternidade (em conjunto com Jorge de Lima,
1935), A Poesia em Pânico (1937), O Visionário (1941), As Metamorfoses (1944), Mundo
Enigma (1945), Poesia Liberdade (1947), Janela do Caos (França, 1949), Office
Humain (França, 1954), Siciliana (Itália, 1959), Poesie (Itália, 1961), Finestra del Caos (Itália, 1961), Siete Poemas Inéditos (Espanha,
1961), A Idade do Serrote (prosa, 1968) etc.; no exterior, entre
outras missões culturais, trabalhou na Universidade de Roma como professor na
cadeira de Cultura Brasileira.
