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(A Bárbara Heliodora, sua esposa, remetida do cárcere da Ilha das
Cobras)
Bárbara bela
Do Norte estrela
Que o meu destino
Sabes guiar.
De ti ausente
Triste somente
As horas passo
A suspirar.
Isto é castigo
Que Amor me dá.
Por entre as penhas
De incultas brenhas
Cansa-me a vista
De te buscar.
Porém não vejo
Mais que o desejo
Sem esperança
De te encontrar.
Isto é castigo
Que Amor me dá.
Eu bem queria
A noite e o dia
Sempre contigo
Poder passar.
Mas orgulhosa
Sorte invejosa
Desta fortuna
Me quer privar.
Isto é castigo
Que Amor me dá.
Tu entre os braços
Ternos abraços
Da filha amada
Podes gozar.
Priva-me a estrela
De ti e dela;
Busca dois modos
De me matar.
Isto é castigo
Que Amor me dá.
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Poesia infantil e juvenil brasileira
— Uma ciranda sem fim [ensaios/estudos de vários autores], Organização e Apresentação
de Vera Teixeira de Aguiar e João Luís Ceccantini, 2012, Associação Núcleo Editorial
Proleitura (ANEP), Cultura Acadêmica Editora, São Paulo — SP; Ignácio José de Alvarenga
Peixoto (1744 — 1793), nasceu no Rio de Janeiro, poeta, fez seus
estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela
Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil,
abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí,
sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso
e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu
os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793),
'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho
Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se
entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos
mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas
de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição
de Joaquim Norberto de Souza e Silva.