Mostrando postagens com marcador Helena Ferreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Helena Ferreira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Vicente Huidobro: . . . Sou eu Altazor Altazor Preso na jaula de meu destino . . . [Altazor, Canto I, excerto]

Resultado de imagem para vicente huidobro & Manuel Bandeira
____________________
[traduzido por Helena Ferreira]

( . . . )

Sou eu Altazor
Altazor
Preso na jaula do meu destino
Em vão me aferro aos horrores da evasão possível
Uma flor tranca o caminho
E se levanta como a estátua das chamas
A evasão impossível
Marcho com minhas ânsias mais débil
Que um exército sem luz em meio a emboscadas
Abri os olhos no século
Em que morria o cristianismo
Retorcido em sua cruz agonizante
Já vai dar o último suspiro
E amanhã que poremos no lugar vazio?
Poremos uma alba ou um crepúsculo
E acaso há que pôr algo?

( . . . )

Há somente seis meses
Deixei a equatorial recém-cortada
No túmulo guerreiro do paciente escravo
Coroa de piedade sobre a estupidez do homem.
Sou eu que estou falando neste ano de 1919
É inverno
A Europa já sepultou todos os seus mortos
E um milhão de lágrimas fazem uma só cruz de neve
Olhai estas estepes que sacodem as mãos
Milhões de operários entenderam por fim
E levantam ao céu seus pendões de aurora
Vinde vinde vos esperamos porque sois a esperança
A única esperança
A última esperança

( . . . )

Resultado de imagem para vicente huidobro
Vicente Huidobro

( . . . )


Soy yo Altazor
Altazor
Encerrado en la jaula de su destino
En vano me aferro a los barrotes de la evasión posible
Una flor cierra el camino
Y se levanta como la estatua de las llamas
La evasión imposible
Más débil marcho con mis ansias
Que un ejército sin luz en medio de emboscadas
Abrí los ojos en el siglo
En que moría el cristianismo
Retorcido en su cruz agonizante
Ya va a dar el último suspiro
¿Y mañana qué pondremos en el sitio vacío?
Pondremos un alba o un crepúsculo
¿Y hay que poner algo acaso?

(. . .)

Hace seis meses solamente
Dejé la ecuatorial recién cortada
En la tumba guerrera del esclavo paciente
Corona de piedad sobre la estupidez humana.
Soy yo que estoy hablando en este año de 1919
Es el invierno
Ya la Europa enterró todos sus muertos
Y un millar de lágrimas hacen una sola cruz de nieve
Mirad esas estepas que sacuden las manos
Millones de obreros han comprendido al fin
Y levantan al cielo sus banderas de aurora
Venid venid os esperamos porque sois la esperanza
La única esperanza
La última esperanza

( . . . )
____________________
Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro — RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

sábado, 9 de novembro de 2019

Vicente Huidobro: Sou eu Altazor o duplo de mim mesmo . . . [Canto I, excerto]

Resultado de imagem para vicente huidobro & Manuel Bandeira
____________________
[traduzido por Helena Ferreira]

( . . . )

Sou eu Altazor o duplo de mim mesmo
O que se vê trabalhar e ri do outro frente a frente
O que caiu das alturas de sua estrela
E viajou vinte e cinco anos
Pendurado no pára-quedas de seus próprios preconceitos
Sou eu Altazor o da ânsia infinita
Da fome eterna e desalentada
Carne lavrada por arados de angústia
Como poderei dormir enquanto haja dentro terras desconhecidas?
Problemas
Mistérios pensos no meu peito
Estou só
A distância que vai de corpo a corpo
É tão grande como a que há de alma a alma
     Só
          Só
Estou só parado na ponta do ano que agoniza
O universo se quebra em ondas aos meus pés
Os planetas rodam em volta de minha cabeça
E me despenteiam ao passar com o vento que deslocam
Sem dar uma resposta que encha os abismos
Nem sentir este desejo fabuloso que busca
      na fauna do céu
Um ser materno onde adormecer o coração
Um leito à sombra do torvelinho de enigmas
Uma mão que acarinhe o latejar da febre
Deus diluído no nada e no todo
Deus tudo e nada
Deus nas palavras e nos gestos
Deus mental
Deus alento
Deus jovem Deus velho
Deus apodrecido
         longe e perto
deus mesclado ao meu tormento

( . . . )

Imagem relacionada

( . . . )

Soy yo Altazor el doble de mí mismo
El que se mira obrar y se ríe del otro frente a frente
El que cayó de las alturas de su estrella
Y viajó veinticinco años
Colgado al paracaídas de sus propios prejuicios
Soy yo Altazor el del ansia infinita
Del hambre eterno y descorazonado
Carne labrada por arados de angustia
¿Cómo podrá dormir mientras haya adentro tierras desconocidas?
Problemas
Misterios que se cuelgan a mi pecho
Estoy solo
La distancia que va de cuerpo a cuerpo
Es tan grande como la que hay de alma a alma
Solo
    Solo
         Solo
Estoy solo parado en la punta del año que agoniza
El universo se rompe en olas a mis pies
Los planetas giran en torno a mi cabeza
Y me despeinan al pasar con el viento que desplazan
Sin dar un respuesta que llene los abismos
Ni sentir este anhelo fabuloso que busca en la fauna del cielo
Un ser materno donde se duerma el corazón
Un lecho a la sombra del torbellino de enigmas
Una mano que acaricie los latidos de la fiebre.
Dios diluido en la nada y el todo
Dios todo y nada
Dios en las palabras y en los gestos
Dios mental
Dios aliento
Dios joven Dios viejo
Dios pútrido
        lejano y cerca
Dios amasado a mi congoja

( . . . )
____________________
Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro — RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Vicente Huidobro: Até quando sangrarem a vida & outros poemas

Resultado de imagem para vicente huidobro & Manuel Bandeira
____________________
[traduzido por Helena Ferreira]

De ver e palpar

O iceberg sereno como um imperador
Segue sua sina
Obedece cegamente às linhas de sua mão

Sombra

A sombra é um fragmento que se afasta
No rumo de outras praias

Em minha memória um rouxinol se queixa
Rouxinol das batalhas
Que gorgeia sobre todas as balas

Até quando sangrarem a vida

A mesma lua ferida
Apenas tem uma asa
O coração fez seu ninho
No meio do vazio
Entretanto
Na margem do mundo florescem cravinas

E A PRIMAVERA VEM SOBRE AS ANDORINHAS

Resultado de imagem para vicente huidobro
Vicente Huidobro

De ver y palpar

El iceberg sereno como un emperador
Sigue su destino
Obedece ciegamente a las líneas de su mano.

Sombra

La sombra es un pedazo que se aleja
Camino de otras playas

En mi memoria un ruiseñor se queja
Ruiseñor de las batallas
Que canta sobre todas las balas

Hasta quando sangrarán la vida

La misma luna herida
No tiene sino una ala
El corazón hizo su nido
En medio del vacio
Sin embargo
Al bonde del mundo florecen las encinas

Y LA PRIMAVERA VIENE SOBRE LAS GOLONDRINAS
____________________
Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro  RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.