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[traduzido por Helena
Ferreira]
( . . . )
Sou eu Altazor
Altazor
Preso na jaula do meu destino
Em vão me aferro aos horrores da evasão possível
Uma flor tranca o caminho
E se levanta como a estátua das chamas
A evasão impossível
Marcho com minhas ânsias mais débil
Que um exército sem luz em meio a emboscadas
Abri os olhos no século
Em que morria o cristianismo
Retorcido em sua cruz agonizante
Já vai dar o último suspiro
E amanhã que poremos no lugar vazio?
Poremos uma alba ou um crepúsculo
E acaso há que pôr algo?
( . . . )
Há somente seis meses
Deixei a equatorial recém-cortada
No túmulo guerreiro do paciente escravo
Coroa de piedade sobre a estupidez do homem.
Sou eu que estou falando neste ano de 1919
É inverno
A Europa já sepultou todos os seus mortos
E um milhão de lágrimas fazem uma só cruz de neve
Olhai estas estepes que sacodem as mãos
Milhões de operários entenderam por fim
E levantam ao céu seus pendões de aurora
Vinde vinde vos esperamos porque sois a esperança
A única esperança
A última esperança
( . . . )
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| Vicente Huidobro |
( . . . )
Soy yo Altazor
Altazor
Encerrado en la jaula de su destino
En vano me aferro a los barrotes de la evasión posible
Una flor cierra el camino
Y se levanta como la estatua de las llamas
La evasión imposible
Más débil marcho con mis ansias
Que un ejército sin luz en medio de emboscadas
Abrí los ojos en el siglo
En que moría el cristianismo
Retorcido en su cruz agonizante
Ya va a dar el último suspiro
¿Y mañana qué pondremos en el sitio vacío?
Pondremos un alba o un crepúsculo
¿Y hay que poner algo acaso?
(. . .)
Hace seis meses solamente
Dejé la ecuatorial recién cortada
En la tumba guerrera del esclavo paciente
Corona de piedad sobre la estupidez humana.
Soy yo que estoy hablando en este año de 1919
Es el invierno
Ya la Europa enterró todos sus muertos
Y un millar de lágrimas hacen una sola cruz de nieve
Mirad esas estepas que sacuden las manos
Millones de obreros han comprendido al fin
Y levantan al cielo sus banderas de aurora
Venid venid os esperamos porque sois la esperanza
La única esperanza
La última esperanza
( . . . )
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Vicente Huidobro & Manuel
Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e
Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia
Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro — RJ; Vicente García Huidobro
Fernández (1893 — 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda
estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França
e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve
participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros;
foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em
buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na
procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La
gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e
Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon
carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918),
Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931),
Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas
obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada
(Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu,
em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante;
também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul
(Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro,
fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre
poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente
de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América;
foi militante do partido comunista chileno.


