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Só o Passado é real; o Futuro,
fantasma
Com que a mente dá forma à coisa
inexistente.
E o minuto, que voa, e chamamos
Presente
Já ficou para trás tão depressa
entusiasma.
Toda a vaga ilusão que a humana
ambição plasma
E supõe realizar hoje mesmo,
fremente,
Lembra a sorte cruel da gota
intercadente
Que mal tomba e já abriga o
infusório e o miasma.
Toda vida é um Passado. O Presente
subsiste
Como ideal concepção de um desejo,
que insiste
Nesta glória de abrir ao sonho
novas portas.
Mas a vida, em si mesma, a
existência, afinal,
No Presente, fugaz, falaciosa,
irreal,
Essa existe, direi, mas são as
coisas mortas.
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Poetas Cariocas em 400 Anos — Frederico Trotta, 1966, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro — RJ; Henrique Guimarães Lagden (1888 — 1953), foi advogado, professor, filólogo, jornalista e fotógrafo; deixou quase todos os seus escritos esparsos em jornais e revistas da época; escreveu Vetusta Carmina; pertenceu às Academias Fluminense e Carioca de Letras e à Academia Brasileira de Filologia.
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Poetas Cariocas em 400 Anos — Frederico Trotta, 1966, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro — RJ; Henrique Guimarães Lagden (1888 — 1953), foi advogado, professor, filólogo, jornalista e fotógrafo; deixou quase todos os seus escritos esparsos em jornais e revistas da época; escreveu Vetusta Carmina; pertenceu às Academias Fluminense e Carioca de Letras e à Academia Brasileira de Filologia.