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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Carlos Drummond de Andrade: No Meio do Caminho [a pedra rolando pelo mundo afora] — I

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No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Alguma Poesia (1930)

C. Drummond de A.
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[traduções para os idiomas húngaro, alemão e inglês]

AZ ÚT KÖZEPÉN

Az út közepén volt egy kö
egy kö volt az út közepén
volt egy kö
az út közepén egy kö volt.

Soha nem felejtem el ezt az eseményt
amig csak fáradt retinám él.
Soha nem felejtem, hogy az út közepén
volt egy kö
egy kö volt az út közepén
az út közepén egy kö volt.

(Paulo Rónai, “A másik Brazilia” [O outro Brasil], Ujzág,
Budapeste, 04.06.1939. Reproduzido in: Brazília Üzen.
BudapesteA Vajda János Társaság Kiadása, 1939, p. 70.)
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MITTEN IM WEG

Mitten im Weg lag ein Stein
Lag ein Stein mitten im Weg
Lag ein Stein
Mitten im Weg lag ein Stein.

Nie werde ich dieses Ereignis
Im Leben meiner so ermudeten Netzhaut vergessen.
Nie werde ich vergessen dass mitten im Weg
Lag ein Stein
Lag ein Stein mitten im Weg
Mitten im Weg lag ein Stein.

(Curt Meyer-Clason, Poesie. Frankfurt:
Suhrkamp Verlag, 1965, p. 119.)
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IN THE MIDDLE OF THE ROAD

In the middle of the road was a stone
was a stone in the middle of the road
was stone
in the middle of the road was a stone.

I shall never forget that event
in the life of my so tired eyes.
I shall never forget that in the middle of the road
was a stone
was a stone in the middle of the road
in the middle of the road was a stone.

(John Nist, In The Middle Of The Road, Tucson:
University of Arizona Press, 1965, p. 15.)
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Uma Pedra No Meio Do Caminho — Biografia De Um Poema, Seleção e Montagem de Carlos Drummond de Andrade, edição ampliada, Organização, Pesquisa, Apresentação e Notas de Eucanaã Ferraz, 2010, Instituto Moreira Salles, São Paulo — SP; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas, pelo país afora e no resto do mundo; bibliografia: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...