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Rasga esses versos que eu
te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...
Rasga os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...
Rasga os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...
Reliquiae — 1931

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Poesia
de Florbela Espanca, Volume 2 (Livro de Sóror Saudade, Charneca em Flor,
Reliquiae) — Apresentação de Laury Maciel — Coleção L&PM Pocket,
Volume 298, L&PM, 2002, Porto Alegre — RS; Florbela D'Alma
da Conceição Lobo Espanca (1894 —
1930), portuguesa do Alentejo, poeta
e contista, em vida escreveu e publicou Livro de Mágoas (1919), Livro
de Sóror Saudade (1923); após
sua morte, publicaram-se Reliquiae, Charneca em Flor e os
contos As Máscaras do Destino e Dominó Negro (todos em 1931).




