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Ciúme
Aquele no espelho a quem me
assemelho
— um pouco mais novo, um
pouco mais velho —
arrumado até os dentes, que
a escova palmilha,
o tabaco amarela,
que me diz bom-dia
apesar do que me revela
e que sem cerimônia me olha
familiar
sem ver como me espanta com
seu ser e com seu ar
será, de repente, o rival
indecente
que interessa a ela?
Poros (1989)
— o —
Cá, entre nos
Você me olhou. Só que isso,
você já sabe, me deixa gago
ernbaraçado.
Feito a meada de que perco o fio.
Quanto mais encontrar agora a frase
certa
e alerta
para tocar-te, sem perder o humor.
Como acertar
o gesto, o dito que entre nos
estabeleça
aquela transparência de corações
que seria algo tão bom, tão
oportuno
neste momento, para algum
dos dois?
Poros (1989)
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Antologia
Poética da Geração 60 — Organizadores: Álvaro Alves de Faria e Carlos Felipe
Moisés, e, a título de Posfácio, o texto ‘A Cidade, os Poetas, a Poesia’, de Cláudio
Willer; 2000, Nankin Editorial, São Paulo — SP; Rubens Rodrigues Torres Filho, nascido
em 1942, paulista de Botucatu, formado em Filosofia pela FFLCH — Universidade
de São Paulo, é poeta, filósofo, professor e tradutor; em poesia, escreveu e publicou
Investigação do olhar (1963), O voo circunflexo (ganhador do Prêmio Jabuti, 1981),
A letra descalça (1985), Poros (1989), Retrovar (1993), Novolume (1997); em prosa,
produziu e publicou O espírito e a letra: a crítica da imaginação pura em Fichte
(1975), Ensaios de filosofia ilustrada (1987), 'Redondezas do divino' em Filosofemas
(1987), 'Por que estudamos?', na Revista da USP Nº 10 (1991), e outros textos; traduziu
Kant, Fichte, Schelling, Nietzsche, Adorno, para a coleção 'Os Pensadores' (Abril/Nova
Cultural), Novalis, etc., além de ter exercido outras atividades na área de filosofia;
lecionou História da Filosofia Moderna e Filosofia Clássica Alemã na Universidade
de São Paulo.
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