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Se te procuro, fujo de avistar-te;
E se te quero, evito mais
querer-te;
Desejo quase, quase aborrecer-te,
E se te fujo, estás em toda parte.
Distante, corro logo a
procurar-te,
E perco a voz, e fico mudo ao
ver-te,
Se me lembro de ti, tento
esquecer-te,
E se te esqueço, cuido mais
amar-te.
O pensamento assim, partido ao
meio,
E o coração assim também partido,
Chamo-te e fujo, quero-te e
receio!
Morto por ti, eu vivo dividido,
Entre o meu e o teu ser sinto-me
alheio,
E sem saber de mim, vivo perdido.
(Memórias para a História da
Academia
de São Paulo — de Spencer Vampré,
1924, 2º volume, pág. 28)

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Antologia da Poesia Paulista II — Prefácio,
Organização, Seleção e Notas Bibliográficas por Domingos Carvalho da Silva, Oliveira
Ribeiro Neto e Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1960, Imprensa Oficial do
Estado, São Paulo — SP; José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço (1827 — 1886), nascido em Bordéus — França, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo
(atual USP — Largo São Francisco), foi poeta, jornalista, orador, jurista,
professor e político; sobrinho-neto de José Bonifácio (o Velho, Patriarca da
Independência), ao retornar do exílio imposto a sua família por ocasião da dissolução
da Assembléia Constituinte de 1823, fixou residência em São Paulo, foi deputado
provincial e deputado geral por esta província e senador do Império; lecionou na Faculdade Direito de Recife e na de São Paulo; escreveu e publicou Rosas e Goivos (poesias, 1848 ou 1849), Poesias (colecionadas por José Maria Vaz Pinto, sem data); a obra As Primeiras Trovas Burlescas de Getulino (de Luiz Gama, 1861) inclui 10 poemas do poeta José Bonifácio.

