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sábado, 21 de março de 2015

Fernando Fortes: Canto de Amor e Morte ao Ferroviário Locomotiva (entroncamentos)

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O TÚNEL niquelado do teu tórax
            trepidante
     a locomotiva rompe
            a sucata
            esmagando a base inoxidável
            Na órbita dos poços lacrimeja
a ferragem dos teus olhos lacrados de aço
            trafega enorme
     por sobre a tua farda fiscal
     o vagão do ventre de carga
            corre
     nos trilhos das artérias
     teu sangue ferroviário vermelho
     No zimbório da noite
     se expande a pleura
     em teu peito de estrelas
            carbonizadas
     as lesmas de óleo devoram
     teus poros de astro sórdido
            a roda
     talha e retalha
     a moeda de tua cara pálida
            Espectro de ferro
      farol circular de mercúrio
      gigante na aproximação
            do instante
            empregado
      range telúrico da noite
             teu coração 
             público

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Fernando Fortes de Almeida, nascido em 1936, carioca, é médico psicanalista, contista poeta e romancista; realizou seus primeiros versos aos quinze anos; colaborador ativo do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e da Revista Civilização Brasileira, escreveu e publicou Tempos e Coisas (poesia, 1958), Epílogo de Epaminondas (novela, 1959), Poesia neoconcreta (1960), Canto Pluro (poesia, 1968), Desamérica (contos, 1969), O Evangelho antes de São Mateus (romance, 1969), A véspera do Medo (1972), Augusto dos Anjos: Eu tu ele nós vós eles (crítica, 1978), Arma Branca (poesia, 1979), O Estranho mais próximo (romance, 1988) ...; teve obras editadas na Argentina, México, Estados Unidos e Dinamarca.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Fernando Fortes: Latifúndio

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EU VI um homem de cifras
contar as pilhas de dinheiro
por cima das tripas dos outros homens
Eu vi o homem somar as costelas dos outros homens
para calcular quanto dinheiro tinha
Eu assisti à contagem sinistra
das costelas mortas dos homens mortos
pelo homem vivo
O homem se enfurecia:
a cada costela morta
seu lucro diminuia.

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Fernando Fortes de Almeida, carioca, nascido em 1936, é médico psicanalista, contista poeta e romancista; realizou seus primeiros versos aos quinze anos; colaborador ativo do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e da Revista Civilização Brasileira, escreveu e publicou Tempos e Coisas (poesia, 1958), Epílogo de Epaminondas (novela, 1959), Poesia neoconcreta (1960), Canto Pluro (poesia, 1968), Desamérica (contos, 1969), O Evangelho antes de São Mateus (romance, 1969), A véspera do Medo (1972), Augusto dos Anjos: Eu tu ele nós vós eles (crítica, 1978), Arma Branca (poesia, 1979), O Estranho mais próximo (romance, 1988) ...; teve obras editadas na Argentina, México, Estados Unidos e Dinamarca.