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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha: Se acaso aqui topares, caminhante, . . . [soneto]


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“À parda Maria Bárbara, mulher de um soldado, cruelmente assassinada, porque preferiu a morte à mancha de infiel ao seu esposo”

Se acaso aqui topares, caminhante,
Meu frio corpo já cadáver feito,
Leva, piedoso, com sentido aspeito,
Esta nova ao esposo aflito, errante...

Diz-lhe como de ferro penetrante
Me viste por fiel cravado o peito,
Lacerado, insepulto, e já sujeito
O tronco feio ao corvo altivolante:

Que dum monstro inumano, lhe declara,
A mão cruel me trata desta sorte;
Porém que alívio busque à dor amara

Lembrando-se que teve uma consorte,
Que, por honra da fé que lhe jurara,
À mancha conjugal prefere a morte.

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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1769 1811), amazonense de Barcelos (à época, capitania de São José do Rio Negro, pertencente ao Grão-Pará), fez seus estudos na própria terra, exerceu cargos públicos na região amazônica, foi poeta lírico e dramaturgo; entrante na adolescência, já órfão, foi enviado para estudar no convento de Santo Antônio, e ali completou os “estudos preparatórios”; de sua obra, parte foi perdida em 1832, em naufrágio sofrido por seu filho e, outra parte, inúmeros manuscritos, destruiu-se em saques perpetrados por tropas repressoras à então Província do Pará, em 1835; o que se salvou, e chegou até nossos dias, está reunido no volume póstumo Obras Literárias de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1850), com segunda edição em 1899, que inclui idílios, dramas, oratórios, odes e cantatas; são de sua autoria: 'Oração ou Breve discurso', 'Ode pindárica', 'Drama pela fundação da casa para depósito de pólvora do rio Aurá', 'Os  pastores do Amazonas' (drama pastoril), 'A felicidade no Brasil' (drama em um só ato), 'Melizo' (idílio, 1789).

terça-feira, 12 de maio de 2015

Tenreiro Aranha: Passarinho que logras docemente [soneto]

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Passarinho que logras docemente
Os prazeres da amável inocência,
Livre de que a culpada consciência
Te aflija, como aflige ao delinquente;

Fácil sustento e sempre mui decente
Vestido te fornece a Providência;
Sem futuros prever, tua existência
É feliz limitando-se ao presente.

Não assim, ai de mim! Porque sofrendo
A fome, a sede, o frio, a enfermidade,
Sinto também do crime o peso horrendo...

Dos homens me rodeia a iniquidade,
A calúnia me oprime, e, ao fim tremendo,
Me assusta uma espantosa eternidade.

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30 Séculos de Poesia De IX a.C. até o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1769 1811), amazonense de Barcelos (à época, capitania de Rio Negro, pertencente ao Pará), não teve formação acadêmica, exerceu diversos cargos públicos na região amazônica, foi poeta lírico e jornalista; fundou e dirigiu diversos periódicos; de sua obra, parte foi perdida em 1832, em naufrágio sofrido por seu filho e, outra parte, inúmeros manuscritos, destruiu-se em saques por tropas repressoras à então Província do Pará, em 1835; o que se salvou, e chegou até nossos dias, está reunido no volume póstumo Obras Literárias de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1850), com segunda edição em 1899, que inclui idílios, dramas, oratórios, ode e cantatas; são de sua autoria: 'Oração ou Breve discurso', 'Ode pindárica', 'Drama pela fundação da casa para depósito de pólvora do rio Aurá', 'Os pastores do Amazonas'(drama pastoril), 'A felicidade no Brasil' (drama em um só ato), 'Melizo' (idílio, 1789).