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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Lila Ripoll: Canção da chuva

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Cai uma chuva tão fina
que quase nem molha a gente.
É uma música em surdina
que apenas a alma sente.

Junto meu rosto à vidraça
e olho a rua sem pensar.
Fico em estado de graça,
como quem vai comungar.

Senhora dos mundos vivos,
Nossa Senhora da Vida,
quantos dias negativos
na minha estrada perdida!

Senhora, tu não devias
permitir tantos enganos.
Há excesso de alegrias,
e excesso de desenganos.

Por onde andaram meus passos
vi sinais de desalentos.
Vaguei por muitos espaços
e senti todos os ventos.

Ventos do sul, vento norte,
ventos do leste e do oeste,
tão diversos como a sorte
que tu, na vida, nos deste.

Senhora dos mundos vivos,
Nossa Senhora da Vida 
quantos dias negativos
na minha estrada perdida!

Ilha Difícil  1987

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 30, Seleção e Prefácio de Ivan Junqueira, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo — SP; Lila Ripoll (1905  1967), gaúcha de Quaraí — a partir dos 22 anos viveu em Porto Alegre —, formada em piano no Conservatório de Música (hoje Instituto de Artes da UFRGS), foi poeta, teatróloga, musicista, professora e militante política comunista; ingressou no magistério estadual e lecionou Canto Orfeônico no Grupo Escolar Venezuela; colaborou na Revista Universitária, Província de São Pedro, participou ativamente na Revista Horizonte e na Tribuna (órgão do Partido Comunista); obra poética: De mãos postas (1938), Céu vazio (1941), Por quê? (1947), Novos poemas (1951), 1º de Maio (1954), Poemas e Canções  (1957), O coração descoberto (1961), Águas Móveis (1965), Antologia Poética  (1971), Ilha difícil: antologia poética (1987) Obra Completa (1998); para o teatro, escreveu Um Colar de Vidro, peça estreada em 1958, no Teatro São Pedro; recebeu premiações: Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras, por Céu Vazio, e Prêmio Pablo Neruda, por Novos Poemas; A poeta e militante comunista Lila Ripoll foi presa em 1964, logo após o golpe militar, mas libertada em seguida devido ao seu precário estado de saúde, com câncer em estágio avançado.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Lila Ripoll: Poesia


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Toda a poesia do poema
não vale a outra  a verdadeira.
A que não consegue transpor
a face fria, que ficou ignorada.
A que não pode ser desprendimento,
mas apenas subir como perfume.

As palavras estão gastas
e sem cor. As palavras
são suspiros ritmados,
benevolentes fantasmas
bem vestidos.

A verdadeira poesia  a invisível,
toca de leve a fímbria
dos meus versos. Mas permanece
intacta no seu mundo.
Ilha difícil (1987)
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Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 30, Seleção e Prefácio de Ivan Junqueira, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo —  SP; Lila Ripoll (1905  1967), gaúcha de Quaraí   a partir dos 22 anos viveu em Porto Alegre , foi poetisa, teatróloga, musicista e militante política comunista; obra poética: De mãos postas (1938), Céu vazio (1941), Por quê? (1947), Novos poemas  (1951), 1º de Maio (1954), Poemas e Canções (1957), O coração descoberto (1961), Antologia Poética (1971), Ilha difícil: antologia  poética (1987) e Obra Completa (1998).