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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Da Costa e Silva: Josafá

 
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A trombeta fatal os meus ouvidos chumba.
Sol Poente. Eu moribundo. Entra o cortejo roxo
Da Morte. O Padre meu irmão parece um mocho...
Rezas, Viático, a Cruz — passaportes da Tumba.

Choro da minha mãe — arrulhos de columba
Meus olhos a ninar... Fecho-os ao claror frouxo
Do círio bento e vejo, aos pulos, Satã Coxo,
Em roda do meu leito, à* espera que eu sucumba.

Deixa o corpo a alma e desce em espirais de tênia
Aos círculos do Inferno, à** maneira de um dobre
De sino, aos giros no ar... Dante faz-me uma nênia,

Voltaire, a assobiar, traça-me o necrológio
Verlaine, Mallarmé, Cruz e Sousa, Anto Nobre
Rezam juntos por mim num profano Eucológio.

(Sangue, pág. 77. — 1908)


Notas do Organizador Andrade Muricy:
  * Está sem acento;
** Idem.
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou, entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Da Costa e Silva: Depois da Luta

 
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Tenho no peito, abertas, mais de vinte
Chagas de dor e triste já descambo
Do Palácio do Amor, ferido e bambo,
Sofrendo ainda o derradeiro acinte...

As mulheres que, um lúcido requinte
Me mostraram nas faces cor de jambo
E que eu cantei em doce ditirambo,
Me apunhalaram na manhã seguinte...

Meu amor não foi mais do que um suplício...
Em lugar dos amores que eu previa,
Achei as falsas bacanais do Vício.

Hoje sou triste, amortecido e langue!
Ai! se eu soubesse nunca o transporia...
Vede este chão... É sangue! sangue! sangue!

(Sangue, pág. 78. — 1908)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou, entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Da Costa e Silva: Flumen Amoris

 
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O rio ideal do Sentimento,
Que sinto fluir nas minhas veias,
Vive num doce inundamento,
Enquanto as ninfas e as sereias
Cantam ao sol saudando as cheias
Do rio ideal do Sentimento.

Por sobre as águas claras, mansas
Do rio plácido e risonho,
Bóiam esteiras de esperanças,
Rosas divinas do meu sonho,
— Naus de aventura que deponho
Na rósea paz das águas mansas.

Cantando as vagas de um fulgor
De rubra e estranha esplendecência,
Do alegra sátiro do Amor
Foge a naiade* da Inocência...
Tenta escapar... mas ele vence-a
Buscando aumento ao9 seu fulgor...

Vivo comigo a interrogar:
De onde esta enchente se deriva?
De onde esta força que vem dar
Ao sangue, outrora pobre e esquiva
Fonte, uma vida inexpressiva?
E eu vivo sempre a interrogar...

Vivo a chamar comigo mesmo,
De onde este bem de que estou cheio?
E o pensamento vaga a esmo...
— Vem deste afeto que te veio
Encher de dúvida e receio...
Ouço uma voz dentre em mim mesmo.

E então diviso, e então descubro:
Vem, meu amor do nosso afeto
A inundação do rio rubro,
Sempre bravio e sempre inquieto;
— Nasceu do sonho predileto
Meu e de alguém que eu não descubro...

(Sangue, págs. 55-56. — 1908)


* Nota do Organizador Andrade Muricy: “Naiade”, e não “náiade”, para se manter ao verso a mesma cadência de todos os demais (pausas na 4ª e na 8ª sílaba). Aliás, está escrito “nayáde”, com acento na penúltima sílaba.
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou, entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Da Costa e Silva: Visões da morte

 
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Almas tristes, sinistras e angustiadas,
Almas sombrias dos desiludidos,
Dos seres para sempre adormecidos
Na poeira azul das eras apagadas.

Almas doidas de amor, martirizadas,
Almas errantes dos incompreendidos
Que hoje descansam frios, envolvidos
No sudário das noites desoladas.

Castas filhas do Medo e do Mistério,
Duendes tremendos do Pavor, medonhos
Espectros que vagais no cemitério...

Quão semelhantes sois, mudos, tristonhos,
Nesse cortejo lúgubre e funéreo,
À Procissão de Passos dos meus sonhos!

(Sangue, pág. 28. — 1908)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro] e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

domingo, 5 de julho de 2026

Da Costa e Silva: Elêusis

 
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I
Foge, napéia esbelta, sem demora;
persegue-te a correr lascivo bando
De levípedes sátiros, saltando
De pedra em pedra, pelo vale em fora.

Faunos ágeis e astutos seguem-te, ora
Pelos prados em flor, ora galgando
Outeiros e alcantis, talvez julgando
Seguir o vulto olímpico de Flora.

Rios, grotões, estâncias pedregosas
Vencem, por te vencer, quando indefesa
Para o beijo das bocas amorosas…

E ei-los tontos de amor e de surpresa,
Vendo-lhe à Deusa as formas enganosas
Na forma esquiva e eterna da beleza.

II
Sou feliz em te amar, porque em verdade
Aos olhos deste amor tu me sugeres
A encarnação de Vênus, ou de Ceres,
Ou de outra deusa da divina Helade.

A graça virginal da mocidade
Faz-te bela ainda mais, porque superes
Em formosura a todas as mulheres
De hoje, de outrora e até da antiga idade.

Vênus loura a formar-se da alva espuma,
Juno morena, a pálida Diana...
Nenhuma delas te venceu, nenhuma!

Se a beleza é ilusão que nos engana,
Ao meu amor és a ilusão, em suma,
Da beleza divina em vida humana!

III
Junto ao móbil cristal da linfa pura,
Que a nudez lhe reflete sem adorno,
Descansa bela ninfa o corpo morno,
Mirando na água a estranha formosura.

Mas, temendo que a espreitem porventura,
O cauto olhar circunvagando em torno
Do ermo sítio onde está, descobre um corno
A apontar entre os tufos de verdura.

Pensa alguém contemplando-a absorto e mudo:
Tenta fugir; em vão, que surge entre
O bosque um fauno feio e cabeludo.

E, antes que nela o monstro o olhar concentre,
Põe, medrosa e ligeira, como escudo,
Uma folha de parra sob o ventre

(Pandora — 1919)

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Da Costa e Silva: Poesias completas — 1885/1985, Edição do Centenário, 3ª edição revista e anotada por Alberto da Costa e Silva, 1985, Editora Nova Fronteira e Instituto Nacional do Livro — Fundação Nacional Pró-Memória, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

domingo, 3 de maio de 2026

Da Costa e Silva: Saudade

 
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Saudade! Olhar de minha mãe rezando
E o pranto lento deslizando em fio…
Saudade! Amor da minha terra… O rio
Cantigas de águas claras soluçando.

Noites de Junho. O caburé com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
E à noite as folhas lívidas cantando
A saudade infeliz de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento…
Ai! mortalhas de neve sobre a serra…

Saudade! O Parnaíba — velho monge
As barbas brancas alongando… E, ao longe
O mugido dos bois da minha terra…

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Os Sonetos — Antologia: diversas autorias, Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S. A., L. R. Editores Ltda., São Paulo — SP; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Da Costa e Silva: Cântico do Sangue

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Sangue! essência vital do sentimento,
Que, rubra, móvel, plástica, incendida,
Sobe do coração ao pensamento,
Circulando nos vórtices da Vida.

Vida das vidas, alma da matéria,
Que da emoção as ondas encadeia,
Fluindo dos ventrículos à artéria,
Refluindo da artéria para a veia.

Essência misteriosa e procriadora,
Vida difusa a errar em frágeis veios,
Que as idéias inflama e os olhos doura:
— Orvalho níveo dos maternos seios.

Mar Vermelho sutil de ondas estuosas,
Ao meu cajado de Moisés tristonho,
Florindo em cravos, amarantos, rosas
— Lodões, corais dos litorais do Sonho.

Rubro Estige espumoso da Luxúria,
Golfão dos meus desejos rebelados,
Onde a minh’alma de Hércules, em fúria,
Pasce a Hidra de Lerna dos Pecados.

Força despertadora dos sentidos,
Que acorda, inflando, em frêmitos velozes,
Pela teia vibrátil dos tecidos,
Ânsias, desejos, sensações, nevroses…

Térmica poeira, liquefeita, insana,
Do turbilhão dos glóbulos vermelhos:
— Os grãos de areia da vaidade humana
Refletida em recíprocos espelhos…

Tépido arroio vivo e purpurino,
Que aos vasos corporais a sede estanca,
Em arabesco túrgido e turquino,
De transparência azul, na pele branca.

Fonte de inspiração, Castália ardente
Dos ideais simbólicos em bando,
Em dilúvios de cor fosforescente,
Numa preamar lunática flutuando…

Sangue! fluido genésico e fecundo
Do sentimento que anda em mim disperso
— Rocio com que alento e com que inundo
As sementeiras rubras do meu verso.

(Sangue — 1908)


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Da Costa e Silva: Poesias completas — 1885/1985, Edição do Centenário, 3ª edição revista e anotada por Alberto da Costa e Silva, 1985, Editora Nova Fronteira e Instituto Nacional do Livro — Fundação Nacional Pró-Memória, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

terça-feira, 31 de março de 2026

Da Costa e Silva: A Escalada

 
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Como custa subir esta montanha,
Que ascende para a luz e para a glória
E mais se eleva quanto mais se ganha
Na escalada fantástica, ilusória!...

O espírito a pairar além dos astros,
E em meio da ascensão indefinida,
Vê os aspectos múltiplos da vida
Baixos, distantes, quase que de rastros.

O aflito olhar volvendo de repente
Da eminência da escarpa inacessível,
Contempla tudo que lhe fica em frente
E o que se move abaixo do seu nível:

Céus azuis, vastos, largos e profundos,
Cheios de luz e cheios de mistério,
Na transparência ideal do azul sidéreo
Sustendo a força cósmica dos mundos;

Verdes mares revoltos e bravios,
Com os continentes porfiando em guerra,
Bebendo as veias colossais dos rios,
Na ânsia imortal de avassalar a terra;

Amplos, vagos e claros horizontes,
Onde se perde o sonho de granito
Das colinas, dos cerros e dos montes,
Num anseio infinito de infinito;

Rios caudais de cristalinas águas,
Nascidos nas adustas cordilheiras,
Rolando em catadupa as suas mágoas
No pétreo coração das cachoeiras;

Campos extensos a perder de vista,
Na doce maravilha da paisagem,
Dando a feliz e sugestiva imagem
Dos encantos da vida panteísta;

Brenhas, sertões, florestas seculares,
Selvas escuras, densas, misteriosas,
Coutos de leões, de tigres e jaguares,
Protegidos das árvores umbrosas;

Verdes ilhas em flor que o mar afaga,
Contando os seus marítimos segredos
Na alva espuma que aflora nos rochedos
À cantiga nostálgica da vaga;

Terras selvagens e cidades cultas,
Criações de Deus e maravilhas do homem,
Prodígios que nem mesmo as catapultas
Ciclópicas dos séculos consomem;

Tudo contemplo, enfim, desta eminência
Que a luz do meu espírito domina,
Que eu já nem sei se é humana ou sé divina
Esta febre perpétua de ascendência.

E ainda quero galgar a eterna penha,
Nesta altura onde um Deus eu me suponho,
Que dos mundos que viu do alto desdenha
Porque o mundo é menor do que o seu sonho...

Embora o pasmo do deslumbramento,
Sempre a buscar o termo da subida,
Cismo de olhos absortos para a vida,
Vivendo apenas para o pensamento.

Cismo, admirando tudo que contemplo:
— A terra, o mar, o céu, a imensidade...
Tudo que existe neste grande templo,
Portas abertas para a eternidade...

E fico, então, num êxtase profundo
E a alma bendiz, atônita, surpresa,
O ventre maternal da Natureza,
Tanto mais virgem quando mais fecundo!

(Zodíaco — 1917)

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Da Costa e Silva: Poesias completas — 1885/1985, Edição do Centenário, 3ª edição revista e anotada por Alberto da Costa e Silva, 1985, Editora Nova Fronteira e Instituto Nacional do Livro — Fundação Nacional Pró-Memória, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Da Costa e Silva: Josafat

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A trombeta fatal os meus ouvidos chumba.
Sol poente. Eu moribundo. Entra o cortejo roxo
Da Morte. O Padre meu irmão parece um mocho...
Rezas, Viático, a Cruz — passaportes da Tumba.

Choro de minha mãe — arrulhos de columba
Meus olhos a ninar... Fecho ao claror frouxo
Do círio bento e vejo, aos pulos, Satã Coxo,
Em roda do meu leito, à espera que eu sucumba.

Deixa o corpo a alma e desce em espirais de tênia
Aos círculos do Inferno, à maneira de um dobre
De sino, aos giros no ar... Dante faz-me uma nênia,

Voltaire, a assobiar, traça-me o necrológio,
Verlaine, Mallarmé, Cruz e Sousa, Anto Nobre
Rezam juntos por mim num profano Eucológio.

(Sangue — 1908)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo [várias autorias], Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora, São Paulo — SP; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]" e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Da Costa e Silva: Ultra Limina...

 
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Em frágil barca de ébano e marfim,
De tírias velas côncavas ao vento,
Vago pela amplidão do firmamento,
Nas ondas do éter pelo azul sem fim...

Aonde vou nesse estranho bergantim,
Veloz e afoito como o pensamento?
Que céu de sonho, que país nevoento,
Que mundo de mistério busco, enfim?

Nos extremos remotos do horizonte,
Perde-se a barca, espaço em fora, sem
Que com o porto encantado se defronte.

Colho as velas, deito a âncora, porém
Surge na proa o vulto de Caronte,
Com a mão no leme, a dirigir-me: — Além!

(Verônica — 1927)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo [várias autorias], Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora, São Paulo — SP; Antônio Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda, exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os “preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária — publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas [MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora (1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil, nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar, esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente perturbada”.