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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Millôr Fernandes: poemillôres

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ODE A UM QUASE CALVO

Ontem, hoje e amanhã
o homem o cabelo parte
parte o cabelo com arte
até que o cabelo parte.
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POESIA COM LAMENTAÇÃO
 DO LOCAL DE NASCIMENTO

Tudo que eu digo, acreditem,
Teria mais solidez
Se em vez de carioquinha
Eu fosse um sábio chinês.

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Antologia de Humorismo e Sátira (de Gregório de Matos a Vão Gôgo) — por R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro — RJ; Millôr Fernandes (1923 2012), ou Milton Viola Fernandes, ou Vão Gôgo, ou Adão Junior, carioca do Méier, nascido em 16 de agosto de 1923 mas registrado em 27 de maio de 1924, transitou por inúmeras áreas ligadas às artes e a outros ofícios: foi escritor, dramaturgo, jornalista, humorista, tradutor, chargista, frasista, desenhista, poeta (de haikais) e caricaturista; escreveu, traduziu e adaptou mais de uma centena de peças de teatro (Shakespeare, Pirandello, Molière, Racine, Brecht, Tchekov, Gorki, Fassbinder e muitos outros)  entre as peças de teatro originais destacam-se os clássicos, Liberdade, liberdade (com Flávio Rangel, 1965), É... (1977), Homem do princípio ao fim (1978), Flávia, cabeça, tronco e membros (1963), Um elefante no caos (1962), Os órfãos de Jânio (1980); escreveu ainda 30 anos de mim mesmo (1972), O livro vermelho dos pensamentos de Millôr (1973), Todo o homem é minha caça (1981), Poemas (1984), Millôr definitivo  A Bíblia do Caos (1994), Tempo e contratempo (1998), entre dezenas de livros editados; o multi artista, que também fez roteiros para cinema, transitou pelos periódicos O Cruzeiro, A Cigarra, Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Revista Diners, Veja, O Pasquim, Isto É, Jornal do Brasil, O Dia, Folha de São Paulo, Diário Popular (Portugal) entre outros veículos informativos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Millôr Fernandes: Cinco HaiKais

Busca poesia, ansiosa,
E descobre, já tarde,
Que a vida é em prosa.
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É tudo natural:
A montanha, discreta;
O mar, tão teatral.
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Eu me assemelho
ao que se reflete
neste espelho?
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Esta é a verdade:
Já sou um homem
Da minha idade.
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É sério:
O sol morre
Lá no cemitério.
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Millôr Fernandes (1923  2012), ou Milton Viola Fernandes, carioca do Méier, nascido em 16 de agosto de 1923 mas registrado em 27 de maio de 1924, transitou por inúmeras áreas ligadas às artes e a outros ofícios: foi escritor, dramaturgo, jornalista, humorista, tradutor, chargista, frasista, desenhista, poeta (de haikais) e caricaturista; os cinco haikais desta postagem foram extraídas de Hai-Kais  Millôr Fernandes (1968, Editora Senzala, São Paulo  SP.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Na Moita: Nenhum humorista atira pra matar! (Millôr Fernandes)


(Fevereiro/1997  Na Moita é um jornaleco nem oficial nem clandestino. Muito pelo contrário!)
O MILLÔR DO MOMENTO
  • Humorista  Fiquem tranqüilos: nenhum humorista atira pra matar.
  • Loterias  Resultado verdadeiro - nunca revelado - das loterias: "Esta semana, mais um recorde da Loteria: vinte e seis milhões, quatrocentos e vinte mil e trezentos e oito perdedores."
  • Efeito colateral  Quem se curva aos opressores mostra a bunda aos oprimidos.
  • Espanto  Deus do céu, eu sou do tempo em que bunda era palavrão!
  • Hindus  Certos líderes brasileiros continuarem com prestígio nos fazem entender os hindus adorarem as vacas.
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(Abril/1996  O Na Moita é um jornaleco, sim! Sem som, mas tem tom.)
O MELHOR DE MILLÔR PARA O MOMENTO
  • Habilidade  O máximo de habilidade político-econômica é a desses caras que se locupletam no capitalismo entrando pela esquerda.
  • Faculdade  Deve haver, escondido nos subterrâneos do Congresso, uma escola de malandragens, golpes, perfídias e corrupção. Não é possível que tantos congressistas já nasçam com tanto know-how.
  • Economia  Vocês aí que sempre economizaram tanto para os dias piores, podem começar a gastar: os dias piores chegaram.
  • Contracheque  De repente viu-se cheio de dinheiro. A empresa, por engano, em vez do ordenado, lhe pagou os descontos.
  • Justificativas  Justificativas: Eu nem sabia o que estava assinando. / A gente tem que sobreviver. / Se eu não desse ele me despedia. / Não me entreguei ao sistema, estou combatendo por dentro. / Ordens são ordens. / Que é que eu posso fazer? É o meu caráter. / Não fui eu que fiz o mundo. / Agora não posso mais recuar. / Se eu não fizesse, outro faria.
  • Anarquia  É apenas uma proposta social em que você dá ao palhaço a administração do circo. E quase sempre ele é muito bem sucedido.
  • Burrice  Conheço certos sujeitos que se caírem de quatro não só não se levantam como nem têm a menor vontade.
  • Humorista  Você aí, companheiro de profissão: uma coisa é ser o rei dos palhaços, outra coisa é ser o palhaço dos reis.
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(Fevereiro/1996  Na Moita é um jornaleco flexível. Entorta, mas não verga pra direita.)
MILLÔRIANAS
  • Ideologia  Se a tua ideologia não está dando, muda pra outra que esteja em alta no mercado.
  • Ambigüidade  Como é mesmo que Stefan Zweig disse: "País do futuro" ou "País do faturo"?
  • Financista  O grande financista é aquele que consegue arrancar dinheiro do banco usando a força do que deve.
  • Aposentadoria  A Previdência Social pretende substituir a Providência Divina. Como esta, só chega depois da morte.
  • Ameaça  Os banqueiros não perdem por esperar. Ganham.
  • Cidadão  Cidadão, neste país em que não há qualquer cidadania, passou a significar só cidade grande.
  • Burocrata  Um burocrata é uma pessoa que vê um sujeito assassinado com um canivete suiço e só se interessa em saber como o assassino conseguiu a guia de importação.
  • Grupo de Trabalho  Grupo de trabalho é um conjunto de pessoas nomeado por um poderoso que não conhece nenhum de seus elementos e que os indica para resolver um problema  do qual, individualmente, nenhum tem a menor noção.
  • Ambição  Basta olhar o número crescente de loterias para concluirmos que todo ser humano deseja ser milionário. Nunca vi um milionário querendo ser ser humano.
  • Americanismo  Tão americanizado que em vez de dizer outrossim, diz outroyes.
  • Humor  O humor compreende também o mau humor. O mau humor é que não compreende nada.
  • Pretensão  É normal que uma pessoa se ache mais inteligente do que outra. Mas Fernando Henrique Cardoso é o único intelectual que se acha mais inteligente do que ele próprio.
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Millôr Fernandes (1923  2012), ou Milton Viola Fernandes, carioca do Méier, nascido em 16 de agosto de 1923 mas registrado em 27 de maio de 1924, transitou por inúmeras áreas ligadas às artes e a outros ofícios: foi escritor, dramaturgo, jornalista, humorista, tradutor, chargista, frasista, desenhista, poeta (de haikais) e caricaturista; as frases desta postagem foram extraídas de Millôr Definitivo  A Bíblia do Caos, 5ª edição, L&PM Editores, Inverno de 1994, Porto Alegre  RS; Millôr nos deixou como legado uma vasta obra, particularmente ligadas ao humor e ao teatro. O jornaleco Na Moita (1991  1997), um devezenquandário que circulou nas dependências da ex-Agência Centro do BB em São Paulo, teve como co-editores responsáveis e interinhos os hoje aposentados e ativistas da palavra Genésio dos Santos e Jorge Nagao. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Millôr Fernandes: Direita e Esquerda

A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.
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Millôr Definitivo  5142 pensamentos, preceitos, máximas... do irritante Guru do Meyer  A Bíblia do Caos, 5ª edição, L&PM Editores, 1994, Porto Alegre — RS; Millôr, nascido Milton Fernandes e vindo à Terra em 27.05.1924 (conforme Carteira de Identidade), no Meyer, Rio de Janeiro  RJ, é frasista, humorista, ensaísta, jornalista, teatrólogo, tradutor, etc....