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Ei-lo! Sob o faiscar de escárnios e
sorrisos,
no
sombrio salão de um grão-senhor feudal,
sacode
e arrasta a irônica brial
de
tufos, de galões, de fitas e de guizos...
Guincha,
e gagueja, e salta, e canta... E, entre indecisos
clarões
de lampadário e a graça medieval
das
damas e galãs, o mísero jogral
vai
diminuindo a dor e exagerando os risos...
Ninguém
sabe entender os seus esgares bufos,
porque
ele veste o amor, a corcunda e a tristeza
de
fitas, de galões, de guizos e de tufos...
E
vai levando assim — sentimental truão! —
glorioso
de fazer sorrir sua princesa,
a
dor no fundo da alma e um títere na mão!
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Messidor,
poesias (coletâneas: Nós, A Dança das Horas, Suave Colheita), sem data, Círculo
do Livro, São Paulo — SP; Guilherme de Andrade e Almeida (1890 — 1969), paulista
de Campinas, estudou nos ginásios Culto à Ciência (Campinas),
e São Bento e N. Sra. do Carmo (ambos em São Paulo), formou-se na Faculdade de Direito
de São Paulo (atual USP — Largo São Francisco),
foi jurista, professor de direito, poeta, jornalista, cronista social, ensaísta,
crítico cinematográfico e tradutor; trabalhou como redator n’O Estado de São Paulo
e no Diário de São Paulo, foi diretor da Folha da Manhã e da Folha da Noite, fundador
do Jornal de São Paulo; participante da Semana de Arte Moderna (1922), colaborou
nos periódicos modernistas Klaxon, Verde e Terra Roxa; consta que a sua produção
de "haicais em português" teve início após seu encontro com Kozo Ichige,
cônsul japonês no Brasil, à época, 1936; suas obras: em poesia: Nós (estréia literária,
1917), A Dança das Horas (1919), Messidor (1919), A flor que foi um homem — Narciso
(1921), A Frauta que eu perdi (1924), Meu (1925), Raça (1925), Encantamento (1925),
Simplicidade (1929), Você (1931), Estudante poeta (1943), Tempo (1944), Poesia Vária
(1947), Rua (1961); em prosa: Do Sentimento Nacionalista na Poesia Brasileira (ensaio,
1926), Ritmo, Elemento de Expressão (1926), Gente de Cinema (1929), O meu Portugal
(1933), A Casa (palestra, 1935), Gonçalves Dias e o Romantismo (conferência, 1944),
Histórias, talvez... (1948), As Palavras de Buda (1948), e mais títulos em verso
e prosa; traduziu, entre outros, Paul Géraldy, Rabindranath Tagore, Charles Baudelaire
(Fleurs du Mal), Paul Verlaine (Parallèlement) e, ainda, a peça Huis clos (Entre
quatro paredes) de Jean Paul Sartre; foi membro da ABL — Academia Brasileira de
Letras, do IHGSP — Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e do Instituto
de Coimbra (Portugal)...