
____________________
Formosa, qual pincel em tela
fina
debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
formosa, qual jamais desabrochara
na primavera a rosa purpurina;
Formosa, qual se a própria mão
divina
lhe alinhara o contorno e a forma rara;
formosa, qual jamais no céu brilhara
astro gentil, estrela peregrina;
formosa, qual se a natureza e
a arte,
dando as mãos em seus dons, em seus lavores,
jamais soube imitar no todo ou parte;
mulher celeste, oh! anjo de
primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!
(Poesias. Organização de
José Aderaldo Castello, 1962, São Paulo:
Conselho Estadual de
Cultura/Comissão de Literatura, pp. 82—83.)
____________________
Maciel Monteiro, Série essencial 74, Academia Brasileira de Letras,
Organização de André Seffrin, 2014, Imprensa Oficial do Estado, São
Paulo — SP; Antônio Peregrino Maciel Monteiro (1804 — 1868), pernambucano de Recife, formado pela Universidade de Paris em Letras, Ciências e
Medicina, foi médico, poeta, jornalista, orador, político e diplomata; como
médico, clinicou em Recife; como jornalista, foi redator e colaborador de O
Lidador, jornal do Partido Republicano, colaborador d’A Carranca, periódico
político-moral-satírico-cômico, d’A União, órgão do Partido Conservador, d’O
Progresso, revista social, literária e científica, todos de Recife, e de Álbum
Sentimental e Revista Popular, ambos do Rio de Janeiro; foi diretor
da Faculdade de Direito de Olinda; bibliografia: Poesias (Organização de João
Batista Regueira e Alfredo de Carvalho, 1905), Poesias (Organização
de José Aderaldo Castello, 1962)...; Maciel Monteiro exerceu funções públicas e
diplomáticas; foi escolhido patrono da cadeira 27 da Academia Brasileira de
Letras.
