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A certo velho petalógico, que na porta d’Alfândega
asseverou um dia, que
uma das galinhas do seu quintal
se havia de repente metamorfoseado em galo!
Ouçam lá o fenômeno! Contá-lo
Bem o posso, que o vi na casa minha:
Mãe de basta ninhada, uma galinha,
Depois que o fora, transformou-se em galo.
Bem sabem que não minto: acreditá-lo
Devem, portanto. Ora, a ave já não tinha
De fêmea viso algum; e na cozinha
Vê-la as outras montar — era um regalo.
Se as galava não sei; mas sei — que ousado
E mui bonito galo era no todo...
Oh! de vê-lo ainda hoje ando pasmado!
Receio (e este receio me põe doudo)
Que, tendo as damas da galinha o fado,
Possam vir-me a foder as que ora fodo.
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Antologia pornográfica: de Gregório
de Mattos a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização, Introdução, Glossário
e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova Fronteira, Rio de
Janeiro — RJ; Francisco Moniz Barreto
(1804 — 1868), baiano de Jaguaribe, militar e funcionário público, foi repentista
e poeta; colaborou e teve seus textos publicados nos periódicos O Diabo a
Quatro – revista infernal, Diário do Rio de Janeiro, A Estação, O Futuro,
Marmota Fluminense, Jornal do Recife; obras: Clássicos e Românticos (1855),
Poema Consagrado à S. Majestade, a Imperatriz D. Teresa Cristina Maria Cristina
(1860), A Estátua e os Mortos (1862) e Álbum da Rapaziada (poemas eróticos e humorísticos,
1864)...; consta de sua biografia que, junto de outros contemporâneos, foi um dos
fundadores do Conservatório Dramático da Bahia.


