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sábado, 13 de novembro de 2021

Moniz Barreto: Ouçam lá o fenômeno! Contá-lo . . . [soneto]

 
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A certo velho petalógico, que na porta d’Alfândega
asseverou um dia, que uma das galinhas do seu quintal
se havia de repente metamorfoseado em galo!

Ouçam lá o fenômeno! Contá-lo
Bem o posso, que o vi na casa minha:
Mãe de basta ninhada, uma galinha,
Depois que o fora, transformou-se em galo.

Bem sabem que não minto: acreditá-lo
Devem, portanto. Ora, a ave já não tinha
De fêmea viso algum; e na cozinha
Vê-la as outras montar era um regalo.

Se as galava não sei; mas sei — que ousado
E mui bonito galo era no todo...
Oh! de vê-lo ainda hoje ando pasmado!

Receio (e este receio me põe doudo)
Que, tendo as damas da galinha o fado,
Possam vir-me a foder as que ora fodo.

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Antologia pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização, Introdução, Glossário e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Francisco Moniz Barreto (1804 1868), baiano de Jaguaribe, militar e funcionário público, foi repentista e poeta; colaborou e teve seus textos publicados nos periódicos O Diabo a Quatro – revista infernal, Diário do Rio de Janeiro, A Estação, O Futuro, Marmota Fluminense, Jornal do Recife; obras: Clássicos e Românticos (1855), Poema Consagrado à S. Majestade, a Imperatriz D. Teresa Cristina Maria Cristina (1860), A Estátua e os Mortos (1862) e Álbum da Rapaziada (poemas eróticos e humorísticos, 1864)...; consta de sua biografia que, junto de outros contemporâneos, foi um dos fundadores do Conservatório Dramático da Bahia.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Moniz Barreto

 
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1868

Exímio glosador, foi pioneiro
do gênero, e deu aulas a Laurindo*.
Ninguém é fescenino o tempo inteiro,
mas nele o verso chulo foi subindo...

“Mulata, quando fode...” tem o cheiro
daquilo que, em Moniz, mostra-se infindo
a título de mote: esse celeiro
tão farto , inesgotável, e tão lindo...

Enquanto na Bahia, houve repente
precoce, oitocentista, indiferente
mostrava-se, na Corte, a classe barda...

Depois do cordelismo, bem mais tarde,
a veia glosadora já covarde
não é, que Sesyom** a vir não tarda...


Notas do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa:
* Laurindo: trata-se de Laurindo Rabelo, (1826 — 1864), poeta do Rio de Janeiro — RJ;
** Sesyom: trata-se de Moysés Lopes Sesyom, (1883 — 1932), poeta, nascido em Caicó — RN.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

sábado, 19 de setembro de 2020

Moniz Barreto: Bahia

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À religião, às leis nenhum respeito;
ufano o vício, o mérito escondido;
favoneado * o crime, e não punido;
muitas sociedades sem proveito;

para cabalas cada vez mais jeito;
em juiz qualquer zote convertido;
austero e violento o corrompido
nos mais notando o mínimo defeito;

por aqui, por ali, casas roubadas;
carne muito barata em teoria;
todas as coisas úteis mal paradas;

ruim prosa anos jornais, ruim poesia;
francesas contradanças já cansadas:
eis aqui a cidade da Bahia**.

Resultado de imagem para francisco moniz barreto

Notas do Organizador Idel Becker:
* favoneado: protegido, favorecido;
** Veja-se o soneto de Gregório de Matos, Bahia.
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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo SP; Francisco Moniz Barreto (1804 1868), baiano de Jaguaribe, militar e funcionário público, foi repentista e poeta; bibliografia: Clássicos e Românticos (1855), Poema Consagrado à S. Majestade, a Imperatriz D. Teresa Cristina Maria Cristina (1860), A Estátua e os Mortos (1862) e Álbum da Rapaziada (poemas eróticos e humorísticos, 1864).