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sábado, 6 de março de 2021

Chacal: Ser ou não ser: eis o que acho

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quando te vejo
dois olhos orelhas
nariz boca bochecha
eu me olho em ti

de repente num relance
somos um mesmo ser olhando

quanto te encontro
braços pernas
barriga umbigo
eu me espanto contigo

pelo tempo de um relâmpago
somos dois seres se entreolhando

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Boa companhia — poesia (vários autores), Apresentação de Ferreira Gullar, 2003, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores e músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Chacal: Como era bom

 
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o tempo em que marx explicava
que tudo era luta de classes
como era simples
o tempo em que freud explicava
que édipo tudo explicava
tudo clarinho limpinho explicadinho
tudo muito mais asséptico
do que era quando nasci
hoje rodado sambado pirado
descobri que é preciso aprender
a nascer todo dia

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Boa companhia — poesia (vários autores), Apresentação de Ferreira Gullar, 2003, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores e músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Chacal: Sete provas e nenhum crime

 
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havia a mancha de sangue no jaleco
e nenhum corpo
havia a cadeira de rodas vazia
e nenhum suspeito
havia o olhar rútilo, o rosto crispado
e nenhum motivo
havia o cheiro impregnado no copo
e nenhuma digital
havia o vírus, o bilhete, a arma branca
e nenhum delito
havia em vão a confissão
e nenhum ilícito
havia um gato emborcado no aquário
e peixe nenhum

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Boa companhia — poesia (vários autores), Apresentação de Ferreira Gullar, 2003, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores e músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Chacal: na jaula do aparelho

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na jaula do aparelho
a gente rosna para a paisagem
com bafo de supra sumo
menta anis hortelã

na jaula do aparelho
a gente se entope de pizza
e depois toma prise no asfalto
na fila do rex do roxy do rian

na jaula do aparelho
a gente se esfrega nas paredes
do estômago dessa comunidade
e vomita vidro fumê jururu jererê

de olho naquele espelho
às vezes esqueço de ti
dentro do olho vermelho
da jaula do aparelho

nas florestas do universo
o homem caval
flex flui nu fla é
olimpic maraton
pau brisa terra fogo gol

nas matas desse mundão
o poço disse pra poça: vem fundo
e a poça disse pro poço: sou uma moça
a roça, a troça, como coça

nas janelas dessa rua
gatos cinzentos espreguiçam
mocreias maravilhosas malandros
molhando o panorama se entrelaçam

nas janelas dessa alameda
entre jaulas imundas
florestas eletrificadas transam transístores
por uma nesga de transparência

nas janelas desse andar
quem foi ao ar aprendeu a voar
nas janelas dessa rua
alguém espera por mim

nas janelas desse estabelecimento
não sei se pulo pra fora ou pra dentro

[drops de abril — 1983]

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Chacal, Tudo (e mais um pouco) — poesia reunida (1971—2016), 2016, Editora 34, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores/músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Chacal: papo de índio

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veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.

[muito prazer, Ricardo — 1971]

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Chacal, Tudo (e mais um pouco) — poesia reunida (1971—2016), 2016, Editora 34, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores/músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa TodaRecordações do Futuro ...

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Chacal: aquilo que sobra

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gosto daquilo que sobra.
daquilo que as pessoas desprezam.
na feira, recolho entre os dejetos
a semente da abóbora, a folha da mandioca.
no empório, compro o farelo do trigo, do arroz.
gosto de me alimentar de coisas nutritivas.
pessoas principalmente.
mas nossa cultura, assim como os grãos, refina
as pessoas.
tira delas o mais nutritivo e deixa apenas o miolo
sem sustância.
por isso gosto do que sobra.
das pessoas desprezadas como eu.

(Murundum — 2012)

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Chacal, Tudo (e mais um pouco) — poesia reunida (1971—2016), 2016, Editora 34, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores/músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Murundum (2012), Tudo e mais um pouco (2016), Alô poeta (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...

domingo, 20 de outubro de 2019

Chacal: Alô poeta

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continuas na lavoura? isso aí, ara, ara, ara.
minhocas arejam a terra; poetas, a linguagem*
se agrorrefloreste, esse é o seu alimento.

aqui vim apenas pra te mandar essa letra:
a língua é sua brother. a palavra é seu sister.
não estão aí pra te humilhar, nem te reprimir.
vieram para te ajudar a desenhar uma ideia,
fisgar o peixe que voa.

você não escreve para gramáticos ou catedrais.
é muito comum confundir a 2ª e a 3ª pessoa do singular
e cometer um erro de concordância.
ainda bem, poeta, ainda bem.
você veio mesmo pra discordar.

(Alô poeta — 2016)

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* Nota da edição: Manoel de Barros.
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Chacal, Tudo (e mais um pouco) — poesia reunida (1971—2016), 2016, Editora 34, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores/músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016), Alô poeta (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Chacal: um poeta não se faz com versos

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o poeta se faz do sabor
de se saber poeta
de não ter direito a outro ofício
de se achar de real utilidade pública
no cumprimento de sua missão sobre a terra
escrevendo tocando criando

o que pesa é não se achar louco
patético quixote inútil
como quem fala sozinho
como quem luta sozinho

o que pesa é ter que criar
não a palavra
mas a estrutura onde ela ressoe
não o versinho lindo
mas o jeitinho dele ser lido por você
não o panfleto
mas o jeito de distribuir

quanto a você meu camarada
que à noite verseja pra de dia
cumprir seu dever como água parada
fica aqui uma sugestão:
se engaveta junto com os seus sonetos
porque muito sangue vai rolar e não
fica bem você manchar tão imaculadas páginas.

[nariz aniz — 1979]

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Chacal, Tudo (e mais um pouco) — poesia reunida (1971—2016), 2016, Editora 34, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores/músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa TodaRecordações do Futuro ...

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Chacal: sobre poesia

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a velha pergunta se instala
na sala do meu dia a dia:
pra que serve a poesia?
pra decorar cerimônia
pra debelar a insônia
pra dar nume ao nome
ou para cantar meu amor
operisticamente?

novas respostas se agitam
em busca de uma saída:
a poesia é precisa
pelo sim e pelo não
pelo que do não é til
pelo que ainda é talvez
pela energia sutil
a poesia é assim.

de novo o problema aparece
e uma ruga se materializa:
como viver de poesia?
de fazer reclame anúncio
de letrar o que é melodia
de ficcionar o que é pedra
ou posando de poeta
oportunista lente?

enfim a solução transparece
em súbita luz muito viva:
a poesia se vive
sem meias medidas
no transitivo direto
sem tênis adidas
no infinitivo descalço
a poesia é o fim.

[letra elétrika — 1994]

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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Chacal: esse animal

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o poeta é de carne e osso
tem olhos, boca, nariz, pescoço
tem pressa, humor, desejo e calma
o poeta é de corpo e alma

o poeta é de osso e carne
sendo a vida vivida o osso
a carne o que lhe dá a palavra
o poeta é alguém que se lavra

tem poeta mais carne que osso
tem o tecido adiposo de quem
entre livros letras ditados
vê a vida passar ao largo

tem poeta carne de pescoço
traz o esqueleto no rosto
não sabe dar carne ao poema
preso no fundo do poço

o poeta é um animal que fuma

[a vida é curta pra ser pequena — 2002]

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Chacal, Tudo (e mais um pouco) — poesia reunida (1971—2016), 2016, Editora 34, São Paulo — SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores/músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa TodaRecordações do Futuro ...