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quando te vejo
dois olhos orelhas
nariz boca bochecha
eu me olho em ti
de repente num relance
somos um mesmo ser olhando
quanto te encontro
braços pernas
barriga umbigo
eu me espanto contigo
pelo tempo de um relâmpago
somos dois seres se entreolhando
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Boa companhia — poesia (vários
autores), Apresentação de Ferreira Gullar, 2003, Companhia das Letras, São Paulo
— SP; Chacal, nascido em 1951, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, carioca,
é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi
aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados
Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro,
Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados
pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores
daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu
primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997);
colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto;
escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal
do Brasil, foi letrista parceiro de compositores e músicos — Jards Macalé, Lulu Santos,
Moraes Moreira; bibliografia: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas,
1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002),
Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Tudo e mais
um pouco (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu,
para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...














