____________________
[traduzido por Olívia Krahenbuhl]
Lança a semente o semeador.
Recebe-a a terra; e dentro em pouco
Germina, aponta a flor.
Tua a amavas: por ela desprezaste
Os outros dons que a vida oferecia
e sozinho ficaste.
Chorar próximo à tumba sossegada,
Para a nuvem da morte erguer os braços —
Que valem gestos ante o nada?
Passa o homem qual erva emurchecida,
Qual folha de arvoredo; é muito breve
A mascarada desta vida.
O pouso da águia pouco dura:
Logo, a poeira das asas sacudindo,
Remonta ao sol na altura...
Der Saemann säet den Samen
Der Saemann säet den
Samen.
Die Erd empfängt ihn,
und über ein kleines
Keimet die Blume herauf-
Du liebtest sie. Was auch dies Leben
Sonst für Gewinn hat,
war klein dir geachtet,
Und sie entschlummerte dir.
Was weinest du neben
dem Grabe
Und hebst die Hände
zur Wolke des Todes
Und der Verwesung empor?
Wie Gras auf dem
Felde sind Menschen
Dahin, wie Blätter!
Nur wenige Tage
Gehn wir verkleidet
einher.
Der Adler besuchet
die Erde,
Doch säumt nicht,
schüttelt vom Flügel den Staub und
Kehret zur Sonne zurück.
____________________
O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua
Alemã (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição
bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Matthias Claudius
(1740 — 1815), alemão de Reinfeld, Holstein, aprendeu Latim, estudou Teologia e Direito na Universidade
de Jena, foi poeta e jornalista, tendo sido editor dos jornais Der Wandsbecker Bothe e Hessen-Darmstädtische;
bibliografia: Tändeleyen und Erzählungen (1763), além de publicações de início esparsas em almanaques e revistas de museus,
escritas entre 1770—1775, e reunidas em textos multivolumes Asmus omnia sua secum portans
(oder Sämtliche Werke des Wandsbecker Bothen); Matthias Claudius também usou o
pseudônimo de Asmus.


