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[traduzido
por Décio Pignatari]
Chame
o enrolador de grandes charutos,
Aquele
dobrado, e diga-lhe que bata
Os
coalhos concupiscentes nas xícaras da cozinha.
Que
as gurias zaranzem nos vestidos
Habituais,
e os rapazes tragam flores
Em
cartuchos de jornais do mês passado.
Que
ser seja o final de parecer.
Só
há um rei e esse é o rei do sorvete.
Tire
da cômoda de pinho,
Que
já perdeu três puxadores de vidro, aquele lençol
Que
ela bordou um dia com caudas de pavão
E
estenda-o de modo a cobrir-lhe o rosto.
Se
um pé unhudo sair para fora, é
Para
mostrar como ela está fria, como está muda.
Que
a lâmpada afixe o seu filete.
Só
há um rei e este é o rei do sorvete.
[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 24.06.84
The emperor of ice-cream
Call the roller of big cigars,
The muscular one,
and bid him whip
In kitchen
cups concupiscent curds.
Let the wenches dawdle in
such dress
As they are used to wear, and let
the boys
Bring flowers in last month's
newspapers.
Let be be finale of seem.
The only emperor is the emperor of
ice-cream.
Take from the dresser of deal,
Lacking the three glass knobs, that
sheet
On which she
embroidered fantails once
And spread it so as to cover her
face.
If her horny feet protrude, they
come
To show how cold she is, and dumb.
Let the lamp affix its beam.
The only emperor is the emperor of
ice-cream.
Harmonium (1923, 1931)
* Nota do blogue Verso e Conversa: o
atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um
suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido
por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e
humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou
entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do
semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e
tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação
de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Wallace Stevens (1879 — 1955),
estadunidense de Reading, Pensilvânia, estudou Direito em Harward e na New York
Law School, foi poeta, jornalista, advogado e administrador de companhia de seguros;
em 1914, teve seus primeiros poemas divulgados na revista Poetry, de Harriet Monroe;
como jornalista, por um breve período foi repórter do New York Evening Post;
suas obras: Harmonium (1923), The Man With the Blue Guitar (1937), Parts
of a World (1942) Esthétique Du Mal (1945), Three Academic Pieces (1947), Transport
to summer (1947), The Auroras of Autumn (1950), The Necessary Angel (ensaios, 1951);
Collected Poems (1954), Opus Posthumous (1957) e outros títulos, além de duas peças
para teatro; recebeu premiações por sua obra (Prêmio Bollingen, National Book Award
— Poesia e Prêmio Pulitzer de Poesia); hoje, considerável parte da crítica o
posiciona literariamente como um dos maiores poetas americanos, ao lado de Ezra
Pound, T. S. Eliot, William Carlos Williams e Marianne Moore.











