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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sosígenes Costa: A magnificência da tarde

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Voa ao poente a túnica da brisa
se desmanchando em chuva de lilases.
A tarde, ante essa mágica, se irisa
e exibe cores francamente audazes.

A natureza, certo, romantiza…
Há nos jardins fascinações de oásis
e os encantos do olhar de Mona Lisa
estão nas rosas e nos grous lilases.

De súbito, o crepúsculo termina.
O céu agora todo se reveste
de uma capa de príncipe da China.

E na ponta de um cônico cipreste,
a lua nova paira, curva e fina,
como o chifre de um búfalo celeste.

(Obra Poética I)

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O Triunfo de Sosígenes Costa (Estudos, Depoimentos e Antologia), Seleção, Organização e Notas de Cyro de Mattos e Aleilton Fonseca, 2004, Editus — editora da UESC, Ilhéus — BA e UEFS Editora, Feira de Santana — BA; Sosígenes Marinho da Costa (1901 1968), baiano de Belmonte, a partir de 1923 passou a viveu em Ilhéus BA, foi professor de instrução primária, jornalista, escritor e poeta; colaborou com o jornal Diário da Tarde, de Ilhéus, foi membro da 'Academia dos Rebeldes', grupo modernista baiano, e divulgou seus versos em jornais e revistas da época; o seu livro Obra Poética (1959), foi vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura de 1960, na categoria poesia; o poeta aposentou-se como telegrafista do antigo DCT Departamento de Correios e Telégrafos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sosígenes Costa: Dudu Calunga

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Ora vejam só!
Dia de Xangô,
festa de Xangô.
Dia de Iemanjá.
festa de Iemanjá.
Dia de Nanã,
samba na macumba
com qualiquaquá.
Dia de matança
para Oxum-marê,
vamos saravá,
vamos dar okê.

Dia de preceito,
bodas eucarísticas:
caruru no almoço,
vatapá na janta
e de noite samba
lá no ganzuá.
Ora vejam só!
festa todo dia
lá no candomblé.

Uma vez que as cousas
vão correndo mal,
só existe um jeito:
é cair no santo
lá no candomblé.

O babalaô,
quando é consultado
diz que aí vem cousa.
O babalaô,
adorador de Ifá,
diz que aí vem cousa.
É de Exu a cousa
ou então a cousa
vem de um encantado.
Que vem cousa grossa,
diz, olhando os buzos,
o babaluxá.

Se é de Exu a cousa,
é melhor não vir,
antes não chegar.
Se é Dudu Calunga,
apareça já.

Se é Dudu Calunga
venha em seu cavalo.
Venha na galinga.
Venha com a viola
pra animar as festas.
Venha tocar cora.
Venha achar brilhantes,
venha achar anéis.

Venha achar as cousas
que ninguém encontra.
Venha na galinga
que é sua malunga
e só tem dois pés.
Você vem, Dudu?
Sim, já vou, Calunga.
Gente de Aroanda,
vamos saravá
que Dudu Calunga
vem pro ganzuá.
Vem tocando cora,
vem achar brilhantes,
vem nos dar anéis.

Gente de Aroanda,
vamos saravá
que Dudu Calunga,
vem tocando cora,
vem achar corá.

Ora vejam só!
Foi um acalô
que isso me contou.

(Obra Poética II)

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O Triunfo de Sosígenes Costa (Estudos, Depoimentos e Antologia), Seleção, Organização e Notas de Cyro de Mattos e Aleilton Fonseca, 2004, Editus editora da UESC, Ilhéus BA e  UEFS Editora, Feira de Santana BA; Sosígenes Marinho da Costa (1901 1968), baiano de Belmonte, a partir de 1923 passou a viver em Ilhéus BA, foi professor de instrução primária, jornalista, escritor e poeta; colaborou com o jornal Diário da Tarde, de Ilhéus, foi membro da 'Academia dos Rebeldes', grupo modernista baiano, e divulgou seus versos em jornais e revistas da época; o seu livro Obra Poética (1959), foi vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura de 1960, na categoria poesia; o poeta aposentou-se como telegrafista do antigo DCT Departamento de Correios e Telégrafos.