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“Tutu-marambá
Não venhas mais
cá,
Que o pai do
menino
Te manda matar.”
No seu berço de rendas com brocados d’oiro
Os olhinhos redondos de espanto e alegria,
Ele olha a vida como
quem olha um tesoiro...
— Meu filho é o mais lindo desta freguesia!
— Meu filho é o mais lindo desta freguesia!
O filho da
coruja!
A boquinha em rosa, a mãozinha suja,
Com os dedinhos gordos já dá adeus,
A boquinha em rosa, a mãozinha suja,
Com os dedinhos gordos já dá adeus,
Fala uma língua
que ninguém compreende...
Toda a gente que
o vê se surpreende:
Tão bonitinho! Benza-o Deus!
É redondo como uma bola.
O seu polichinelo com um grande guizo,
É a única coisa que o consola...
Meu filho é o meu melhor sorriso.
Que noite clara anda lá fora!
O luar entra no quarto, manso e lindo,
Com a expressão angélica de quem chora...
Tão bonitinho! Benza-o Deus!
É redondo como uma bola.
O seu polichinelo com um grande guizo,
É a única coisa que o consola...
Meu filho é o meu melhor sorriso.
Que noite clara anda lá fora!
O luar entra no quarto, manso e lindo,
Com a expressão angélica de quem chora...
Roça o berço: o menino
está dormindo.
Então a voz que mal se sente,
vai cantando maquinalmente:
“Tutu-marambá
Não venhas mais
cá,
Que o pai do
menino
Te manda matar.”
(Canto da Minha Terra — 1930)

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Toda Uma Vida de
Poesia — Volume I (1911 a 1931) — Olegário Mariano, Primeira edição, 1957, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ; Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889 — 1958), pernambucano
de Recife, político e diplomata, foi poeta, jornalista e letrista musical; estreante na vida
literária aos 22 anos com o volume Angelus, viveu o período
parnasiano-simbolista e de transição para o modernismo; escreveu para as
revistas Caretas e Para Todos com o pseudônimo de João da
Avenida; ficou conhecido como o "poeta das cigarras" por causa
de um de seus temas prediletos; obra literária: Angelus (1911), Sonetos (1912), Evangelho da Sombra e do Silêncio (1913), Água corrente (prefácio
de Olavo Bilac, 1918), Últimas Cigarras (1920), Bataclan (crônicas
em versos, 1923), Canto da minha terra (1930), Destino (1931), Vida, caixa de brinquedos (crônicas em versos, 1933), A Vida que já
vivi, memórias (1945) e tantos outros títulos; como letrista, teve poemas musicados por Joubert de Carvalho ('Cai, cai balão', 'Tutu-marambá' e outros); também fez parcerias musicais com o maestro e compositor Hekel Tavares e outros autores.