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São tão remotas as estrelas que,
apesar da
vertiginosa velocidade da luz,
elas se apagam,
e continuam a brilhar durante
séculos.
Morrem os mundos... Silenciosa
e escura,
Eterna noite cinge-os. Mudas,
frias,
Nas luminosas solidões da
altura
Erguem-se, assim, necrópoles
sombrias...
Mas para nós, di-lo a ciência,
além perdura
A vida, e expande as rútilas
magias...
Pelos séculos em fora a luz
fulgura
Traçando-lhes as órbitas
vazias.
Meus ideais! extinta claridade
—
Mortos, rompeis, fantásticos e
insanos
Da minh’alma a revolta
imensidade...
E sois ainda todos os enganos
E toda a luz, e toda a
mocidade
Desta velhice trágica aos
vinte anos...*
* Nota da edição: Datado de
1886. O poeta nasceu em 1866.
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Ondas: poesias + “Conferência: Castro Alves e seu Tempo” — Euclides da Cunha, Introdução de
Adelino Brandão, Prefácio de Márcio José Lauria, e Textos Complementares de
Abguar Bastos, Guilherme de Almeida e Francisco Venâncio Filho, acerca da
poesia de E. Cunha, 2005, Editora Martin Claret, São Paulo — SP; Euclides Rodrigues Pimenta da
Cunha (1866 — 1909),
nascido em Cantagalo —
RJ, onde também iniciou sua vida escolar — Colégio Caldeira —, foi morar com os avós, em Salvador — BA, época em que estudou no Colégio
Carneiro Ribeiro, de volta ao Rio de Janeiro, frequentou algumas outras
escolas, entre as quais o Colégio Aquino, matriculou-se na Escola Politécnica,
desistiu por razões financeiras, e ingressou na Escola Militar da Praia
Vermelha, complementando depois seus estudos na Escola Superior de Guerra, foi
escritor, sociólogo, ensaísta, repórter jornalístico, historiador, engenheiro
militar e também poeta; seu grande feito literário foi ter escrito Os Sertões,
publicado originalmente em 1902 e, de lá até os dias atuais, dezenas de vezes
republicado e com inclusão de interpretações e análises de estudiosos
consagrados; anteriormente, tal obra saíra em artigos reportagens do jornal O
Estado de São Paulo, à época Província de São Paulo, para quem o autor
trabalhava como colaborador e repórter, enviado que fora na cobertura da quarta
expedição contra a Guerra de Canudos; o livro Os Sertões teve publicações nos
idiomas alemão, chinês, francês, inglês, dinamarquês, espanhol, holandês,
italiano e sueco; outras publicações do autor, a maioria póstumas: Contrastes e
Confrontos (1907), Peru versus Bolívia (1907), À Margem da História (1909),
Canudos — diário de uma
expedição (1939), O Rio Purus (1960), Caderneta de Campo (1975), Um paraíso
perdido (1976) entre outros títulos; em poesia, registre-se Caderno Ondas: 1883
— 1884; Postais: 1902 — 1906 e Esparsas: 1885 — 1909; o jornalista Euclides da Cunha,
que em 1884 estreara publicando um artigo em O Democrata, jornal criado por ele
e seus amigos, ainda estudante colaborou na Revista Acadêmica, depois, por
várias ocasiões, colaborou com a então Província de São Paulo, hoje O Estado de
São Paulo, e também na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, além de em outros
periódicos; pertenceu à Academia Brasileira de Letras a ao Instituto Histórico
Geográfico Brasileiro.
