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Passas, leve e sutil, sem
trégua e sem cansaço.
Passas, e de teus pés vem
rolar sob a planta
Tudo o que ri e chora e se
lastima e canta.
Uma esteira de pó fica após o
teu passo...
Quanta angústia desfeita em lágrimas, e quanta
Ilusão, que embalou um’hora o
teu regaço,
Não pensaram, ness’hora
inolvidada e santa,
Seguir contigo a estrada
infinita do espaço!
E ao término fatal levaste-as,
no entanto.
O monumento eril rui à tua
passagem,
E transmuda-se em sombra a
mais brilhante imagem.
Tarde ou cedo destróis tudo o
que existe: o pranto
Secas, sustas o riso, e
emudeces o grito
No lento caminhar através do
infinito...
[Vibrações — 1905]
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Antologia de Poetas Fluminenses
(vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica
Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; da vida da poetisa e cronista Maria Júlia Cortines
Laxe (1863 — 1948), fluminense de Rio Bonito, apesar de sua longevidade, pouco se
sabe: de sua avó recebeu “instrução elementar”, prosseguiu seus estudos em Niterói
e, autodidata, adquiriu formação literária e pedagógica; portas foram abertas para
que ela atuasse no magistério, é o que se supõe; colaborou com as revistas A Semana
e A Mensageira, redigiu para o jornal O País, no qual manteve a coluna “Através
da Vida”; no início do século XX, no meio literário brasileiro, foi considerada
uma das "três Júlias" mais famosas da época (as outras foram Francisca
Júlia, também poetisa, e Júlia Lopes de Almeida, romancista); escreveu seus primeiros
versos aos 13 anos, e aos 21 já colaborava em periódicos da Corte Imperial; deixou-nos
como legado Versos (1894) e Vibrações (1905), ambos de poesia; ”praticamente esquecida
em nossos dias”, em 2010 a Academia Brasileira de Letras publicou o volume Versos
& Vibrações de Júlia Cortines e mais três poemas inéditos, “Coleção Austregésilo
de Athayde, nº 32”, com apresentação/estudo, Descortinando Júlia, de Gilberto Araújo
e o texto A poesia esquecida de Júlia Cortines, de Fausto Cunha; no Rio de Janeiro
existe uma rua com seu nome, além de também ter o nome emprestado a escolas e logradouros
de outras cidades (Rua Júlia Cortines, em São Paulo, Escola Municipal Julia Cortines,
em Niterói...).