Padre açúcar
Que estais no céu
Da monocultura,
Santificado
Seja o nosso lucro.
Venha a nós o vosso reino
De lúbricas mulatas
E lídimas patacas,
Seja feita
A vossa vontade
Assim na casa-grande
Como na senzala.
O ouro nosso
De cada dia
Nos dai hoje
E perdoai nossas dívidas
Assim como perdoamos
O escravo faltoso
Depois de puni-lo.
Não nos deixeis cair em tentação
De liberalismo,
Mas livrai-nos de todo
Remorso, amém.
* Nota deste aprendiz de blogueiro: O poeta
José Paulo Paes, em Quem, eu?, nos conta que o poema ‘A cristandade’ é
ilustrativo de um ciclo de poemas por ele iniciado, a que deu o nome de Novas
Cartas Chilenas, e que, sob uma ótica crítico-irônica “buscava infundir
significância ideológica ao poema-piada de 22” . E prossegue: ‘Esse ciclo de poemas foi
publicado sob o pseudônimo de Doroteu Critilo na Revista Brasiliense, com uma
nota prefaciada de S.B.H. (Sérgio Buarque de Holanda) chamando a atenção para
os “metros quase sempre breves e ágeis” que as Novas cartas substituíam “os
decassílabos sensaborões que se arrastavam numa triste monotonia“ nas Cartas de
Critilo.’
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Quem, eu? — um poeta como outro
qualquer, José Paulo Paes, Coordenação de Vivina de Assis Viana, 1996, Atual
Editora, São Paulo — SP; José Paulo Paes (1926 — 1998), paulista
de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e
editor; formado em Química Industrial, durante anos trabalhou em laboratório
farmacêutico (Curitiba — PR), sem jamais ter deixado de lado a
literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 — 1948),
dirigida por Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a
colaborar com os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São
Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo (1983), É isso
Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia
reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Prosas
Seguidas de Odes Mínimas (1992), Lé com Cré (1993), A Meu
Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me
contou (1997), Melhores poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri
Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro
inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com
poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil; como editor,
verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos,
norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro
Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos
Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward
Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi
laureado com diversos prêmios literários nas categorias poesia, literatura
infanto-juvenil e tradução.
