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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

José Paulo Paes: A cristandade *

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Padre açúcar
Que estais no céu
Da monocultura,
Santificado
Seja o nosso lucro.
Venha a nós o vosso reino
De lúbricas mulatas
E lídimas patacas,
Seja feita
A vossa vontade
Assim na casa-grande
Como na senzala.
O ouro nosso
De cada dia
Nos dai hoje
E perdoai nossas dívidas
Assim como perdoamos
O escravo faltoso
Depois de puni-lo.
Não nos deixeis cair em tentação
De liberalismo,
Mas livrai-nos de todo
Remorso, amém.

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* Nota deste aprendiz de blogueiro: O poeta José Paulo Paes, em Quem, eu?, nos conta que o poema ‘A cristandade’ é ilustrativo de um ciclo de poemas por ele iniciado, a que deu o nome de Novas Cartas Chilenas, e que, sob uma ótica crítico-irônica “buscava infundir significância ideológica ao poema-piada de 22. E prossegue: ‘Esse ciclo de poemas foi publicado sob o pseudônimo de Doroteu Critilo na Revista Brasiliense, com uma nota prefaciada de S.B.H. (Sérgio Buarque de Holanda) chamando a atenção para os “metros quase sempre breves e ágeis” que as Novas cartas substituíam “os decassílabos sensaborões que se arrastavam numa triste monotonia“ nas Cartas de Critilo.
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Quem, eu? — um poeta como outro qualquer, José Paulo Paes, Coordenação de Vivina de Assis Viana, 1996, Atual Editora, São Paulo SP; José Paulo Paes (1926 1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial, durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba PR), sem jamais ter deixado de lado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 1948), dirigida por Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo (1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), com Cré (1993), A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil; como editor, verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos, norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.