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[traduzido por Ivo Barroso]
Nada melhor do que a espera,
cheias da primavera, tempo dos botões,
os dias de maio não são tão claros
como os clarões dos de abril.
Vem sobre o último gelo do caminho;
a floresta nos dá seu frescor adormecido
com seu profundo murmúrio.
Daria satisfeito a volúpia do estio
pelas primeiras vergônteas que começam a luzir
na sombra do vale sob os pinheiros,
e o primeiro canto do melro.
Nada se compara a esse tempo de langor,
anos de espera, tempo de bodas.
Não há primavera com tal claridade
que a de um amor secreto.
Ver-se raramente, separar-se às pressas,
sonhar delícias e os perigos
que a vida no seio traz!
Que os impacientes colham os frutos dourados,
eu quero demorar, renunciar,
velar em meu jardim
enquanto desabrocham os brotos.
Intet
Är Som Väntanstider
Intet är som väntanstider,
vårflodsveckor,
knoppningstider,
ingen maj en dager sprider
som den klarnande april.
Kom på stigens sista halka,
skogen ger sin dävna svalka
och sitt djupa sus därtill.
Sommarns vällust vill jag
skänka
för de första strån, som
blänka
i en dunkel furusänka,
och den första trastens drill.
Intet är som längtanstider,
väntansår, trolovningstider.
Ingen vår ett skimmer sprider
som en hemlig hjärtanskär.
Sällan mötas, skiljas
snarligt,
drömma om allt ljuvt och
farligt
livet i sitt sköte bär!
Gyllne frukt må andra skaka;
jag vill dröja och försaka,
i min lustgård vill jag vaka,
medan träden knoppas där.
[Fridolins Visor — 1898]
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução
de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar
Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel
a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura,
1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931),
sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com
descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala,
e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca
Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico
simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro,
ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista
experimental no Aftonbladet, em Djursholm;
com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe
e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se
em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas,
Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte;
já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico
literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados
e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na
direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk
de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks
— Och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor
(Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden
de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e
Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson
Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918),
Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn
(Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa
em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta
disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional
e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele
ano.