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terça-feira, 21 de julho de 2015

Paulo Bomfim: Do caos

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Invento este soneto onde procuro
Surgir de um ventre de palavras novas,
Nascer de mim, de ti, de tantas provas
Que me iniciam como um deus futuro.

Modelo sensações num mundo escuro
Onde semeio o corpo pelas covas,
Berços de terra, fonte onde renovas
As vidas que guardaste com meu muro.

Enquanto pelo céu as grandes naves
Vão sangrando de azul as descobertas
E os anjos vão ficando inda mais graves,

Invento este soneto de granizo,
Ferindo em minhas folhas entreabertas,
O caos que se transforma num sorriso.

(Sonetos da vida e da morte — 1963)

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Paulo Bomfim — Poemas Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973, Círculo do Livro, São Paulo — SP;  Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Paulo Bomfim: Nascer do verso puro e correntio, . . . [soneto]

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SONETO III

Nascer do verso puro e correntio,
Brotar da fonte feita de miragem,
Sentir que em nós, outros espectros agem
Vivendo em nossa pele de arrepio.

Rolar no próprio espanto a voz do rio
Sumindo em chão secreto de mensagem,
Saber que os olhos são também paisagem
Vista de além do céu perdido e frio.

Nascer em cada sopro do universo,
Ser alma navegando o som do verso
Em sílabas de espelho pelo porto.

Chorarmos vida no destino morto;
Sabendo que esse pranto assim convulso
É o tema que hoje bate em nosso pulso.

(Sonetos — l.959)

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Paulo Bomfim — Poemas Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973, Círculo do Livro, São Paulo — SP;  Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Paulo Bomfim: Soneto dos muitos eus

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Um eu ficou no mar aprisionado
E deixou-me por pés as nadadeiras;
Outro ficou nas nuvens caminheiras,
Por isso bato os braços no ar parado.

Um eu partiu menino ensimesmado
E ofertou-me palavras verdadeiras,
Outro amou suas sombras companheiras,
Outro foi só, e um outro de cansado

Caminhou pelos becos. Há também
Aqueles que ficaram na poesia,
Nos bares, na rotina, o eu do bem,

Do mal, o herói, o trágico, o esquecido.
Eu gerado por mim na liturgia
De um todo para tantos divididos!

(Sonetos da vida e da morte — 1963)

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Paulo Bomfim — Poemas Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973,Círculo do Livro, São Paulo — SP;  Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.

domingo, 7 de junho de 2015

Paulo Bomfim: Alquimia do verbo. Em minha mente . . . [soneto]

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SONETO V

Alquimia do verbo. Em minha mente
Recriam-se palavras na hora vária,
A poesia se torna necessária
E as flores rememoram a semente.

É preciso que exista novamente
A aventura distante e temerária
De em ouro transformar a dor precária
E em nós deixar correr a lava ardente.

Que uma emoção profunda e mineral
Corra nos veios desta carne astral
E encontre em mim aquilo que procura.

Na paisagem que for, já sou nascido:
Nas formas criarei o elo perdido,
E, em lucidez, serei minha loucura.

(Sonetos  1959)

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Paulo Bomfim  Poemas Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973, Círculo do Livro, São Paulo  SP;  Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.