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Invento este soneto onde procuro
Surgir de um ventre de palavras
novas,
Nascer de mim, de ti, de tantas
provas
Que me iniciam como um deus
futuro.
Modelo sensações num mundo escuro
Onde semeio o corpo pelas covas,
Berços de terra, fonte onde
renovas
As vidas que guardaste com meu
muro.
Enquanto pelo céu as grandes naves
Vão sangrando de azul as
descobertas
E os anjos vão ficando inda mais
graves,
Invento este soneto de granizo,
Ferindo em minhas folhas
entreabertas,
O caos que se transforma num
sorriso.
(Sonetos da vida e da morte — 1963)
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Paulo Bomfim — Poemas
Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973, Círculo do Livro, São
Paulo — SP; Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia
seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e,
logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de
Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações
de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi
agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia
Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio
de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos
em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da
descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de
minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo
reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro
de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para
rádio e televisão.

