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[traduzido por Francisco Otaviano]
A Senhora me ordena que lhe faça um soneto,
Poema pequenino e difícil por isso;
À ordem da soberana da beleza submisso,
Com este exórdio mesmo arranjei um quarteto.
Para edificiozinho, que é o poemeto
Também não conviria um pórtico maciço,
Ora bem, não é pouco, se o poeta noviço
Chega timidamente ao primeiro terceto.
Rematar sem amor os versos, que uma dama
Exigiu fora crime. Assim, é de razão
Que o poeta se anime e confesse que a ama.
E como chave d'ouro, com bem discreta mão,
A arte dos sonetos para o final reclama...
Dê-me, Senhora, a chave que lhe abre o coração...
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| Henri Meilhac |
Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, por R. Magalhães Jr., sem data, Ediouro — Clássicos de bolso, Rio de Janeiro — RJ; Henri Meilhac (1830 — 1897), francês parisiense, fez seus estudos no Liceu Louis-le-Grand de Paris, foi dramaturgo, libretista de operetas e óperas e poeta; teve seu primeiro emprego como caixeiro em livraria, depois, usando o pseudônimo Thalin, foi desenhista do Le Journal pour rire, de Paris, e teve seus textos publicados em várias revistas da época; na dramaturgia, em colaboração com Ludovic Halévy, somou extensa produção — ópera-bufa, comédias, etc; algumas de suas obras: La Belle Helène, La Péricachole, La grande-duchesse de Géroustein, La Vie Parisiene, Froufrou ...; pertenceu à Academia Francesa.
