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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Henri Meilhac: A Senhora me ordena que lhe faça um soneto, . . . [soneto]

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[traduzido por Francisco Otaviano]

A Senhora me ordena que lhe faça um soneto,
Poema pequenino e difícil por isso;
À ordem da soberana da beleza submisso,
Com este exórdio mesmo arranjei um quarteto.

Para edificiozinho, que é o poemeto
Também não conviria um pórtico maciço,
Ora bem, não é pouco, se o poeta noviço
Chega timidamente ao primeiro terceto.

Rematar sem amor os versos, que uma dama
Exigiu fora crime. Assim, é de razão
Que o poeta se anime e confesse que a ama.

E como chave d'ouro, com bem discreta mão,
A arte dos sonetos para o final reclama...
Dê-me, Senhora, a chave que lhe abre o coração...

Henri Meilhac
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, por R. Magalhães Jr., sem data, Ediouro — Clássicos de bolso, Rio de Janeiro — RJ; Henri Meilhac (1830  1897), francês parisiense, fez seus estudos no Liceu Louis-le-Grand de Paris, foi dramaturgo, libretista de operetas e óperas e poeta; teve seu primeiro emprego como caixeiro em livraria, depois, usando o pseudônimo Thalin, foi desenhista do Le Journal pour rire, de Paris, e teve seus textos publicados em várias revistas da época; na dramaturgia, em colaboração com Ludovic Halévy, somou extensa produção  ópera-bufa, comédias, etc; algumas de suas obras: La Belle Helène, La Péricachole, La grande-duchesse de Géroustein, La Vie Parisiene, Froufrou ...; pertenceu à Academia Francesa.