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quarta-feira, 2 de março de 2016

Sílvio Valente: Amo o soneto porque é molde antigo . . . [soneto]

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Amo o soneto porque é molde antigo
para dizer as coisas sempre novas;
porque depois de não sei quantas provas,
um pudor virginal guarda consigo.

O soneto é mais puro do que as trovas.
Sim, Bem-Amada, eu nele apenas digo
tudo que é nobre em mim, tudo que aprovas
e é meu prêmio na vida, e meu castigo.

É fino e breve, e tem segredos de arte;
uma pureza, enfim, tão cintilante
que, quando um dia desejei cantar-te,

os teus encantos rútilos, diversos,
pus em soneto; e desde aquele instante,
só sei rimar-te com quatorze versos.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Silvio Valente (1918  1951), baiano e soteropolitano, formado pela Faculdade de Direito de Salvador, exerceu a magistratura por um período, foi professor de Português, Francês e Literatura, poeta e jornalista; seus primeiros textos literários foram publicados na Farol, revista do ginásio onde estudava; colaborou em jornais e revistas da época e n’A Tarde, escreveu a coluna ‘Tabuleiro da Bahiana’ sob os pseudônimos de Bernardo Só e Pepino Longo; bibliografia: Obras Completas de Silvio Valente  Volume I, Líricas Volume 2, Satíricas (ambas em 1959); produziu poemas em francês, traduziu para a nossa língua uma variedade de poemas de consagrados autores espanhóis, franceses e italianos, verteu para o francês o poema ‘Navio Negreiro’ de Castro Alves e é tido como um poeta satírico dos melhores que a Bahia já teve.