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[traduzido por Xavier Placer]
A ti, infinita face, chão semeado
onde ceifa o pincel, resume, amassa
e onde entre cor, luzes e sombras, passa
de mar radioso a um tempo então nublado.
A ti, poço e coberta, onde assomado
maldita, vem e vai, mede, compassa;
fronte na mão pousada que ultrapassa
teu ver de Polifermo enamorado.
A ti, asa redonda, leque escudo,
espelho que ao vestir queda desnudo
a superfície novamente pura.
Em ti a visão se apura assim que nasce.
Teu firmamento o arco-iris pasce.
A ti, leito e cadinho da Pintura.
A la paleta
A ti, infinita haz, campo
sembrado
donde siega el pince!,
gavilla, amasa
y entre color, luces y
sombras, pasa
de mar radiante a tiempo
anubarrado.
A ti, pozo y brocal, donde assomado
medita, viene y va, mide,
acompasa;
frente asida a la mano que traspasa
tu ojo de Polifemo enamorado.
A ti, abanico, ala redonda,
escudo,
espejo que al vestir queda
desnudo
y nuevamente superficie pura.
En ti se cuece Ia visión que
nace.
Tu firmamento el arcoiris
pace.
A ti, lecho y crisol de la
Pintura.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho,
1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Rafael Alberti Merello (1902
— 1999), espanhol de Puerto de Santa María, Andaluzia, fez seus estudos iniciais
no Colégio San Luis Gonzaga, da Compañia de Jesus, de onde foi expulso e, abandonando
os estudos, passou a se dedicar à pintura e à literatura; poeta, divulgou seus textos
nas publicações literárias e de arte Horizonte, Alfar, Revista de Occidente, Litoral
e outros veículos; conheceu Garcia Lorca, Antonio Machado, Luis Buñuel, Salvador
Dali, Ortega y Gasset e outros, convivendo artística e literariamente com
todos; fundou em Madri a revista revolucionária Octubre; suas obras: Marinero en
tierra (1925), El alba de Alhelí (1928), Cal y Canto (1928), Sobre los ângeles (1928
— 1929), Sermones y moradas (1929 — 1930), El hombre deshabitado (teatro, 1931),
Consignas y Un fantasma (1933), Verte y no verte. A Ignacio Sánchez Mejías (1935),
Entre el clavel y la espada, La arboleda perdida — volume 1 (memórias, 1942), El
adefesio (teatro, 1944), Coplas de Juan Panadero (1949), A la pintura (1950), Fustigada
luz (1980), Prosas (1980), Versos sueltos de cada día (1982), La arboleda perdida
— volume 2 (memórias, 1987), e tantos outros textos; Rafael Alberti, em meio à Guerra
Civil Espanhola, iniciou um exílio de trinta anos, só retornando à Espanha após
a morte de Franco, em 1977; pertenceu ao Partido Comunista espanhol, andejou por
diversos países, recebeu premiações por seus textos.















