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Morte, que serás tu? Maior dos
danos
O criminoso e o vil julga-te e
teme;
E vingança do céu vens aos
tiranos,
Que teu velador braço impele e
preme.
Mas o infeliz, a quem de mil
afanos
Mui pesa a carga, e sem esp'rança
geme,
Teu ferro implora truncador dos
anos;
Da última hora ao chegar ri-se,
não treme.
De Marte entre a poeira e luta
fera
Desafia-te o herói, que o risco
endura,
E o sábio sem mudar de cor te
espera.
Morte, que és tu pois? És sombra
escura,
Um bem, um mal, que sempre toma e
altera
Por humanas paixões forma e
natura.

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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até o Século
XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de
Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Vincenzo Monti (1754 — 1828), italiano nascido em Ferrara, foi poeta, escritor, dramaturgo e tradutor; deixou poemas e cânticos como legado para o período e posteridade: La Spada de Federico, Il Fanatismo, La Supertizione, Il Pericolo, La Musogonia, Mascheroniana (poema inacabado, em honra de Lorenzo Mascheroni), La Feroniade (poema inacabado), In morte di Ugo Basseville, e outros; traduziu Ilíada (Homero), Sátiras (Pérsio), A Donzela de Orleans (Voltaire)...; relata-nos Ary de Mesquita, que o poeta "várias vezes alterou as suas concepções políticas. Monti foi turibulário de Napoleão, e no momento que julgou conveniente passou a incensar os austríacos com os seus formosos versos, como antes já exaltara a igreja católica romana, e em seguida insultara os papas, forjando sempre as mais complicadas e hipócritas desculpas para a sua versatilidade cínica. Era o que hoje chamamos um oportunista."