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Pode-se escrever em prosa ou em verso.
Quando se escreve em prosa, a gente enche a linha do
caderno até o fim, antes de passar para a outra linha.
E assim por diante até o fim da página.
Em poesia não: a gente muda de linha antes do fim,
deixando um espaço em branco antes de ir para a linha seguinte.
Essas linhas incompletas se chamam versos.
Acho que o espaço em branco é para o leitor poder ficar
pensando.
Pensando bem no que o poeta acabou de dizer.
Algumas vezes, lendo um verso, a gente tem de voltar aos
versos de trás para entender melhor o que ele quer dizer.
Principalmente quando há uma rima, isto é, uma palavra
com o mesmo som de outra lida há pouco.
Então a gente vai procurá-la para ver se é isso mesmo.
A prosa é como trem, vai sempre em frente.
A poesia é como o pêndulo dos relógios de parede de
antigamente, que ficava balançando de um lado para outro.
Embora balançasse sempre no mesmo lugar, o pêndulo não
marcava sempre a mesma hora.
Avançava de minuto a minuto, registrando a passagem das
horas: 1, 2, 3, até 12.
Também a poesia vai marcando, na passagem da vida, cada
minuto importante dela.
De tanto ir e vir de um verso a outro, de uma rima a
outra, a gente acaba decorando um poema e guardando-o na memória.
E quando vê acontecer alguma coisa parecida com um poema
que já leu, a gente logo se recorda dele.
Geralmente, a prosa entra por um ouvido e sai pelo outro.
A poesia, não: entra pelo ouvido e fica no coração.
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Varal de
Poesia — José Paulo Paes, Henriqueta Lisboa, Mário Quintana e Fernando Paixão,
Ilustrações de Alex Cerveny, 2008, 1ª edição, 8ª impressão, Editora Ática, São
Paulo — SP; José Paulo Paes (1926 — 1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta,
tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial,
durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba — PR), sem jamais ter
deixado de lado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro;
na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 — 1948), dirigida por
Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais
Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista
Brasiliense; suas obras: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas
(1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo
(1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia
reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Poemas para
brincar (infantil, 1989), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), Lé com Cré (1993),
A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores
poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999),
O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos
outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e
infanto-juvenil; como editor e tradutor, verteu para o português autores gregos,
dinamarqueses, italianos, norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens,
Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden,
William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria,
Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi
laureado com diversos prêmios literários nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil
e tradução.













