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Que lembrança darei ao país que me
deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.
De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.
(Claro Enigma — 1951)
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.
De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.
(Claro Enigma — 1951)
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¿Que memoria daré al país que me dio
lo que recuerdo y sé, todo cuanto sentí?
En la noche sin fin, breve el tiempo olvidó
Mi dudosa medalla, y se ríe de mí.
¿Y merezco esperar más que los otros,
yo?
Tú no me engañas, mundo, y no te engaño
a ti.
Monstruos contemporáneos que Orfeo no
rindió
vagando, taciturnos, entre el tal vez
y el sí.
No dejaré de mí ningún canto radioso,
ni uma voz matinal palpitando en la
bruma
que de alguien arranque su más
secreto espino.
De todo cuanto fue mi paso caprichoso
quedará solamente, pues el resto se esfuma,
una
piedra que había em medio del camino.
(Traducción: Manuel
Graña Etcheverry)
| Carlos Drummond de Andrade |
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100 poemas — Carlos Drummond de Andrade, Organización y traducción de Manuel Graña Etcheverry, edição bilíngüe, segunda reimpressão, 2009, Editora UFMG, Belo Horizonte — MG; Carlos Drummond de Andrade
(1902 — 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e
cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis
obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas: Alguma
Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do
Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e
artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro
Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de
Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira,
crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A
Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço,
crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A
Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão,
crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As
Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De
Noticias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de
Primavera, e algumas sombras (1977); Contos
Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Corpo,
novos poemas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das
Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e tantos outros...









