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sábado, 10 de agosto de 2019

Violante do Céu: Vida que não acaba de acabar-se . . . [soneto]

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Vida que não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.

Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.

O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.

Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?

Escrituras Doutros Tempos,
Coimbra, França Amado, 1914.

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Presença da Literatura Portuguesa II — Era Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão Européia do Livro, São Paulo — SP; Sóror Violante do Céu (1602  1693), portuguesa de Lisboa, freira dominicana, professou no Convento Nossa Senhora da Rosa de Lisboa e foi poetisa conhecida pelos meios culturais da época; sua obra permanece registrada em Rimas Várias de La Madre Sóror Violante Del Cielo, religiosa em El Monastério de La Rosa de Lisboa (1646), Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, compostos pela Madre Sóror Violante do Céu, religiosa dominicana no Convento da Rosa de Lisboa (dois volumes, 1733), e na Fênix Renascida.

domingo, 28 de julho de 2019

Violante do Céu: Que suspensão, que enleio, que cuidado . . . [soneto]

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Que suspensão, que enleio, que cuidado
É este meu, tirano deus Cupido?
Pois tirando-me enfim todo o sentido
Me deixa o sentimento duplicado.

Absorta no rigor de um duro fado,
Tanto de meus sentidos me divido,
Que tenho só de vida o bem sentido
E tenho já de morte o mal logrado.

Enlevo-me no dano que me ofende,
Suspendo-me na causa de meu pranto
Mas meu mal (ai de mim!) não se suspende.

Ó cesse, cesse, amor, tão raro encanto
Que para quem de ti não se defende
Basta menos rigor, não rigor tanto.

Escrituras Doutros Tempos,
Coimbra, França Amado, 1914.

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Presença da Literatura Portuguesa II — Era Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão Européia do Livro, São Paulo — SP; Sóror Violante do Céu (1602  1693), portuguesa de Lisboa, freira dominicana, professou no Convento Nossa Senhora da Rosa de Lisboa e foi poetisa conhecida pelos meios culturais da época; sua obra permanece registrada em Rimas Várias de La Madre Sóror Violante Del Cielo, religiosa em El Monastério de La Rosa de Lisboa (1646), Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, compostos pela Madre Sóror Violante do Céu, religiosa dominicana no Convento da Rosa de Lisboa (dois volumes, 1733), e na Fênix Renascida.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Violante do Céu: Amor, se uma mudança imaginada . . . [soneto]

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Amor, se uma mudança imaginada
É com tanto rigor minha homicida,
Que fará, se passar de ser temida,
A ser, como temida, averiguada?

Se só por ser de mim tão receada,
Com dura execução me tira a vida,
Que fará se chegar a ser sabida?
Que fará se passar de suspeitada?

Porém se já me mata, sendo incerta,
Somente o imaginá-la e presumi-la,
Claro está (pois da vida o fio corta).

Que me fará depois, quando for certa:

— Ou tornar a viver, para senti-la,
Ou senti-la também depois de morta.

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Presença da Literatura Portuguesa II — Era Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão Européia do Livro, São Paulo — SP; Violante Montesino ou Sóror Violante do Céu (1602 1693), portuguesa de Lisboa, freira dominicana, professou no Convento Nossa Senhora da Rosa de Lisboa e foi poetisa conhecida pelos meios culturais da época; sua obra está registrada em Rimas Várias de La Madre Sóror Violante Del Cielo, religiosa em El Monastério  de La Rosa de Lisboa (1646), no Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, compostos pela Madre Sóror Violante do Céu, religiosa dominicana no Convento da Rosa de Lisboa (dois volumes, 1733), na Fênix Renascida, ...