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Vida que
não acaba de acabar-se,
Chegando já de vós a despedir-se,
Ou deixa, por sentida, de sentir-se,
Ou pode de imortal acreditar-se.
Vida que já não chega a terminar-se,
Pois chega já de vós a dividir-se,
Ou procura, vivendo, consumir-se,
Ou pretende, matando, eternizar-se.
O certo é, Senhor, que não fenece,
Antes no que padece se reporta,
Por que não se limite o que padece.
Mas viver entre lágrimas, que importa
Se vida que entre ausência permanece
É só viva ao pesar, ao gosto morta?
Escrituras Doutros Tempos,
Coimbra, França Amado, 1914.

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Presença da
Literatura Portuguesa II — Era Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão
Européia do Livro, São Paulo — SP; Sóror Violante do Céu (1602 — 1693), portuguesa
de Lisboa, freira dominicana, professou no Convento Nossa Senhora da Rosa de Lisboa
e foi poetisa conhecida pelos meios culturais da época; sua obra permanece registrada
em Rimas Várias de La Madre Sóror Violante Del Cielo, religiosa em El Monastério
de La Rosa de Lisboa (1646), Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, compostos
pela Madre Sóror Violante do Céu, religiosa dominicana no Convento da Rosa de Lisboa
(dois volumes, 1733), e na Fênix Renascida.