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Às vezes, quando escrevo e procuro a suprema
rima para encastoar o verso que componho,
em vão tento ordenar o sentido do poema
e estampar no papel o meu grandioso sonho.
Retorço a frase, o verso, a estrofe; mudo o tema,
o metro; inutilmente, enfim, em jogo ponho
todo o meu mérito de artista numa extrema
contenda que me torna abatido e tristonho.
Faltando-me o poder de, numa forma ardente,
ao papel transmitir o que minh'alma sente,
da minha tosca mesa, ao terminar-se a vela,
Ergo-me, muita vez, sem ter composto um verso,
deixando o alvo papel enrugado e disperso,
desde o princípio ao fim, cheio do nome d'Ela.

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Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Arnaldo de
Alvernaz Rodrigues Nunes (1890 — 1966), fluminense de
Valença, formou-se em contabilidade, foi perito-contador, professor
de português e literatura, poeta e escritor; de sua bibliografia constam: Poesias (1919), Escalada (poesias, 1935), Religião da Beleza (prosa), América (1945), Sonho de
Orfeu (em colaboração dom Adauto Fernandes), Basílio da Gama (1942), A Sílaba Métrica
e o Tempo Musical (1946), O Ritmo Poético e a Música do Estilo (1949), e tantos
outros títulos; muitos de seus escritos ficaram dispersos em jornais e revistas da época; teve publicações traduzidas para os idiomas francês, inglês,
espanhol e esperanto.