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quinta-feira, 25 de julho de 2024

Luís Pistarini: Não sei quem seja, — aparição divina, . . . [soneto]


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Não sei quem seja, aparição divina,
santa ou mulher, arcanjo ou flor, contudo,
não me sai da cabeça esta menina
de olhos de treva e gorro de veludo.

Quanto tempo, de pé, postado à esquina,
por vê-la, estive, estupefato e mudo!
Sorriu... Fitei-a... Olhou-me... e, peregrina,
seguiu: segui-a o meu amor! E é tudo,

tudo o que sei dessa gentil criança
que eu vi, para que enchesse a alma de escolhos,
numa infundada e fútil esperança.

E há de estes versos ler, sem ver que eu morro,
fanatizado por aqueles olhos
e apaixonado por aquele gorro!...

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Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Luis Pistarini ou Luiz Pistarini (1877 1918), fluminense de Resende, em sua juventude residiu em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi jornalista e poeta; começou a escrever aos onze anos, muito embora tenha cursado apenas quatro anos da escola primária; colaborou com revistas literárias da época, trabalhou em jornais de Resende, Barra Mansa e do Rio de Janeiro, então capital federal; dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo, foi redator da revista O Malho, editor do jornal A Lira e trabalhou na Câmara Municipal de Resende; o poeta também assinou textos com o pseudônimo Lívio Peralta; suas obras: Bandolim (1899), De Luto (1898), Sombrinhas, Postais (1907) e Agonias e Ressurreição (publicação póstuma, com prefácio do poeta Luís Murat); foi autor do Hino de Resende, sua cidade natal; é patrono da cadeira nº 27 da Academia Fluminense de Letras, sediada em Niterói, à época capital do estado; é tido que levou uma vida “atormentado por enfermidades”.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Luiz Pistarini: Uma relíquia


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A Coelho Neto

Achei-te, enfim, mimosa luva, agora
Rota, sutil, tão feia e tão judiada!
Quanta vez, no entretanto, em ti calçada,
Não apertei a sua mão outr’ora!

Essa, por quem, talvez há um ano, usada
Foste, e que foi tua gentil senhora,
Velha te achando, é natural que fora
Te houvesse, um dia posto, oh maltratada.

Luva! Entretanto eu quero-te comigo!
Doce relíquia, no mais casto abrigo
Que, em casa houver, hei de guardar-te, visto

Que tu me trazes a lembrança amena
D’aquela mão tão branca e tão pequena,
Que ela deu-me, no Altar, junto de Cristo!

(De Luto — 1898)
[A Mensageira — 15 de maio de 1899 — Ano II. Nº 28]

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Luis Pistarini ou Luiz Pistarini (1877 1918), fluminense de Resende, em sua juventude residiu em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi jornalista e poeta; começou a escrever aos onze anos, muito embora tenha cursado apenas quatro anos da escola primária; colaborou com revistas literárias da época, trabalhou em jornais de Resende, Barra Mansa e do Rio de Janeiro, então capital federal; dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo, foi redator da revista O Malho, editor do jornal A Lira e trabalhou na Câmara Municipal de Resende; o poeta também assinou textos com o pseudônimo Lívio Peralta; suas obras: Bandolim (1899), De Luto (1898), Sombrinhas, Postais (1907) e Agonias e Ressurreição (publicação póstuma, com prefácio do poeta Luís Murat); foi autor do Hino de Resende, sua cidade natal; é patrono da cadeira nº 27 da Academia Fluminense de Letras, sediada em Niterói, à época capital do estado; é tido que levou uma vida “atormentado por enfermidades”.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Luiz Pistarini: Bilhete de doente

 
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Recebi, minha flor, com muito agrado,
O mimo e mais os beijos, que agradeço;
Beijos… de longe, que outros não mereço,
Principalmente neste triste estado!

Ah! nem sabes, talvez, quanto padeço!
Mas vivo agora tão desalentado,
Que, com o mínimo excesso, empalideço,
Desmaio e tombo, exânime e prostrado…

Não me visites, pois… não! Tem paciência!
Ninguém resiste à tentação que adora,
E o doutor me proíbe essa imprudência…

Perdoa: mas dispenso-te a visita:
Para quem sofre, como eu sofro agora,
Faz muito mal uma mulher bonita!

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Luis Pistarini ou Luiz Pistarini (1877 1918), fluminense de Resende, em sua juventude residiu em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi jornalista e poeta; começou a escrever aos onze anos, muito embora tenha cursado apenas quatro anos da escola primária; colaborou com revistas literárias da época, trabalhou em jornais de Resende, Barra Mansa e do Rio de Janeiro, então capital federal; dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo, foi redator da revista O Malho, editor do jornal A Lira e trabalhou na Câmara Municipal de Resende; o poeta também assinou textos com o pseudônimo Lívio Peralta; suas obras: Bandolim (1899), De Luto (1898), Sombrinhas, Postais (1907) e Agonias e Ressurreição (publicação póstuma, com prefácio do poeta Luís Murat); foi autor do Hino de Resende, sua cidade natal; é patrono da cadeira nº 27 da Academia Fluminense de Letras, sediada em Niterói, à época capital do estado; é tido que levou uma vida “atormentado por enfermidades”.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Luís Pistarini: Rosa

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Há, nesta vida, coisas deliciosas!
Vi, num jardim, Rosa a passear, um dia:
Rosas nas mãos, rosas no colo, rosas
No cabelo, que ao sol resplandecia...

Nas lindas faces, cândidas, mimosas,
Duas rosas também Rosa trazia:
As da saúde que são mais preciosas;
E nos lábios de Rosa ainda se via.

Rosa, que em duas pétalas graciosas,
Num sorriso arcangélico se abria...
E assim, formosa, entre as irmãs formosas,

Não sei porque, Rosa me parecia
Não rosa só, mas um bouquet de rosas...
Que falava, que andava e que sorria!

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Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Luis Pistarini ou Luiz Pistarini (1877 1918), fluminense de Resende, em sua juventude residiu em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi jornalista e poeta; começou a escrever aos onze anos, muito embora tenha cursado apenas quatro anos da escola primária; colaborou com revistas literárias da época, trabalhou em jornais de Resende, Barra Mansa e do Rio de Janeiro, então capital federal; dirigiu a revista A Crisálida e o jornal O Domingo, foi redator da revista O Malho, editor do jornal A Lira e trabalhou na Câmara Municipal de Resende; o poeta também assinou textos com o pseudônimo Lívio Peralta; suas obras: Bandolim (1899), De Luto (1898), Sombrinhas, Postais (1907) e Agonias e Ressurreição (publicação póstuma, com prefácio do poeta Luís Murat); foi autor do Hino de Resende, sua cidade natal; é patrono da cadeira nº 27 da Academia Fluminense de Letras, sediada em Niterói, à época capital do estado; é tido que levou uma vida “atormentado por enfermidades”.