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Fala e pergunta pelos filhos. Onde
Estão agora, abandonando o doente?
Manda chamá-los, como que já sente
A grande bruma que o Mistério esconde.
Senhora! os olhos macerados ponde
Sobre essa mágoa e os corações alente
A virginal resignação dolente
Onde a alma triste, a soluçar, se esconde.
Ah! sofrimento que não tem conforto...
Beijar-lhe a face emagrecida e ardente,
Senti-lo vivo, já sonhando-o morto!
Como que a Paz dos grandes Céus baixava
Sobre ele e havia irradiações do Poente
Naquela vida que se aniquilava...
(Andrade Muricy — Panorama do Movimento
Simbolista Brasileiro, vol. II,
pág. 290, Rio, 1951.)
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes,
1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Edgar da Mata Machado (1878 — 1907), mineiro
de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro,
estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e
jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros
do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser
a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros [Romeiros] do Ideal foi responsável
pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu
o Minas Artística, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus,
revista “de feitio nitidamente simbolista” que contou com a participação de Edgar
Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo
e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu
crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas,
passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia,
até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada
de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme
relato de Andrade Muricy, organizador da obra Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, volumes I e II; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São
Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse
respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos
no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs
e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor
Celso Cunha — a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento —
são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas
por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.