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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Edgar Mata: Fala e pergunta pelos filhos. Onde . . . [soneto]

 
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Fala e pergunta pelos filhos. Onde
Estão agora, abandonando o doente?
Manda chamá-los, como que já sente
A grande bruma que o Mistério esconde.

Senhora! os olhos macerados ponde
Sobre essa mágoa e os corações alente
A virginal resignação dolente
Onde a alma triste, a soluçar, se esconde.

Ah! sofrimento que não tem conforto...
Beijar-lhe a face emagrecida e ardente,
Senti-lo vivo, já sonhando-o morto!

Como que a Paz dos grandes Céus baixava
Sobre ele e havia irradiações do Poente
Naquela vida que se aniquilava...

(Andrade Muricy — Panorama do Movimento
Simbolista Brasileiro, vol. II, pág. 290, Rio, 1951.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros [Romeiros] do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu o Minas Artística, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que contou com a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador da obra Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, volumes I e II; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Edgar Mata: A garça

 
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Na grande paz da noite a Garça branca cisma,
Entre os velhos juncais do paludoso lago,
Embebida num sonho etereamente vago
Sonolência do luar que na amplidão se abisma.

E quem sabe se da ave a Alma não guarda um prisma
De estranhas emoções, de redolente afago,
Onde se decompõe, num grande íris pressago,
De mortas sensações um doloroso Crisma?

E a velha Garça exul cisma na noite aziaga;
E que espirais de Sonho e que tremendo abismo
Sua Alma lhe revela, inconsciente e vaga!

Porém nada perturba o pávido mutismo;
E a ave, que a Saudade, imponderada alaga,
Do triste Luar contempla o amplo sonambulismo.

(Andrade Muricy — Panorama do Movimento Simbolista
Brasileiro, vol, II, págs. 288-289, Rio, 1951.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros [Romeiros] do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu o Minas Artística, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que teve a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador de Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro ...; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Edgar Mata: Lembro-me desse misterioso poente . . .

 
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Lembro-me desse misterioso poente
Quando meus olhos sobre os teus pousados
Tinham presságios de uma Dor latente
E as agonias dos que são amados.

E a tarde morre sonolenta e fria
Como morreste de saudade e mágoas
E a lua triste como a Nostalgia
Chora na branca quietação das águas.

(Códice III, págs. 111-112.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu o Minas Artistica, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que teve a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro ...; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Edgar Mata: Andam pelo ar jejuns e penitências . . . [soneto]

 
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Andam pelo ar jejuns e penitências
De monges ciliciados e contritos;
Salmos chorosos d’esquecidos ritos
E um perfume de místicas essências.

Choram nos ermos violões plangências
E agonias humanas de precitos;
Cruzam-se preces, misereres, gritos,
Das emoções as rubras florescências.

E tudo sobe para os Céus remotos,
Na luta ascensional de extremos votos,
Blasfêmias negras e orações de santos!

E tudo sobe, numa estranha guerra!
E sobre a mágoa Vesperal da terra
Cai um dilúvio universal de prantos...

(Andrade Muricy — Panorama do Movimento Simbolista
Brasileiro, vol, II, págs. 289-290, Rio, 1951.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros [Romeiros] do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu o Minas Artística, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que teve a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador do Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro ...; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Edgar Mata: Taciturnos bois

 
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Sonolento, no olhar cheio de nostalgias,
Revelando a visão de uma antiga miragem
O boi, a ruminar, passa os silentes dias
No remanso e na paz da rústica paisagem.

O aspecto cismador desse animal magoado
Que à tarde muge e acorda os ecos da montanha,
Faz-me cismar na dor de um ente abandonado,
Carpindo sobre a terra uma saudade estranha;

E sua voz plangente espalha-se no monte,
Às horas do segredo imenso do sol posto
E perde-se no azul saudoso do horizonte
Correndo a endolorida escala do desgosto.

Por entre as aromais exalações das rosas,
Ouvindo o soluçar distante da cascata,
O boi contempla triste as estrelas formosas
E a amorosa ascensão de uma lua de prata.

Eu penso em desvendar os íncubos segredos
Dessa esfinge animal, ambulante no mundo,
Mas encontro a mudez dos ásperos rochedos
E quedo-me vencido ante esse olhar profundo.

([Revista] Careta, Rio de Janeiro, 27-3-1909.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu o Minas Artistica, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que teve a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro ...; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Edgar Mata: Féretro de Sonho

 
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Passa um féretro leve, carregado
Por borboletas brancas como os lírios;
Da luz dos pirilampos  áureos círios 
Vai o pequeno esquife iluminado.

A lua chora um pranto magoado,
Pranto talvez de siderais martírios
Monja do eterno claustro dos Empíreos,
Monja que traz o coração roxeado.

E o esquife passa. E nele, morto, dorme
Um sonho meu, um sonho multiforme,
Que sucumbiu nos gelos do Nirvana.

Amortalhado por neblinas vagas,
Vai-se elevando às luminosas plagas,
Longe, bem longe da Paixão humana.

(Códice I, pág.86.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surgiu o Minas Artistica, cuja direção pertenceu a Edgar Mata; em 1902, foi fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que teve a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro ...; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção ainda permanece dispersa; “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Carlos Drummond de Andrade: O destino de Edgard Mata


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O poeta é notoriamente Prior do Desgosto,
mora na Trapa da Tristeza,
que é também castelo assombrado
desde a Idade Média ou desde Vila Rica.
O poeta confessa crimes etéreos.
Cultiva um amor noturno, pecaminoso:
a Monja Lua.
É da raça dos que morrem cedo,
não tem tempo a perder com a alegria.
Há sempre outono e inverno e tarde
em suas manhãs.
Segue a esmo, entre grotões do País de Minas.
Lágrimas e agonias vão com ele.
Satã, na sombra, o espreita.
Súbito voo sonoro flecha o céu.
São anjos? Duendes africanos?
É o bando de maritacas
e enche de cor seu coração e o mundo.
O poeta, por um instante, vislumbra a vida.
Ah, se tivesse nascido em Diamantina,
seria talvez saudável cantor do Peixe-Vivo.

Amar se aprende amando — 1985

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Amar Se Aprende Amando, poesia de convívio e de humor — Carlos Drummond de Andrade, 6ª edição, 1986, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo; suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...

domingo, 17 de dezembro de 2023

Edgar Mata: Esteta


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Rezam Salmos de Paz, Salmos de Esquecimento
Sobre os Mortos que vão para além do Mistério,
E, depois, na lembrança apagada, o funéreo
E esquecido perfil sem saudade ou Memento.

Mas do Esteta imortal o amplo vulto nevoento,
Na Quimera da Forma e no Sonho do Etéreo,
Há de sempre viver no quietismo sidéreo
Entre as fontes de Luz, como um Deus sonolento.

Há de sempre viver pelo bronze do Verso,
Esse Espírito Eleito, entre brumas disperso,
Evocando um Desejo, algum Sonho de Abismos.

Dorme em Paz, dorme em Paz, Triunfador exilado!...
E o teu nome será como o Linho guardado
Entre os nimbos de Luz de imortais Simbolismo...

(Códice I, pág.84.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Edgar da Mata Machado (1878 1907), mineiro de Vila Rica (atual Ouro Preto), aprendeu as primeiras letras no Rio de Janeiro, estudou Humanidades no Colégio Aquino, também no Rio, foi poeta do Simbolismo e jornalista; de retorno a Minas, passou a integrar o grupo literário Jardineiros do Ideal que se formara na ainda jovem Belo Horizonte, cidade construída para ser a nova capital do Estado; o grupo Jardineiros do Ideal foi responsável pelo surgimento do Lótus, primeiro jornal literário da nova capital; em 1901 surge o Minas Artistica, cuja direção é de Edgar Mata; em 1902, é fundada a Horus, revista “de feitio nitidamente simbolista” que teve a participação de Edgar Mata e outros; em 1903, o poeta, a convite de Afonso Arinos, seguiu para São Paulo e passou a fazer parte da redação do Comércio de São Paulo, periódico no qual escreveu crônicas diárias, sob o pseudônimo “Mário Corvo”; ainda em 1903, voltando para Minas, passou a residir em Diamantina, com sua avó paterna, e “ali viveu dolorosa boêmia, até completa obnubilação das faculdades mentais, falecendo repentinamente na madrugada de 26 de fevereiro de 1907, com a idade de 28 anos, quatro meses e sete dias”, conforme relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro...; Edgar Mata colaborou em numerosos jornais e revistas de Minas Gerais e de São Paulo, sua produção permanece dispersa. “Reza a tradição familiar, a esse respeito, que o poeta, num acesso de desespero ou hipocondria, queimou os seus versos no pátio da sua casa de Diamantina. O pouco que existe foi salvo por suas irmãs e primas que acorreram. O que resta, presentemente em mãos de seu parente Professor Celso Cunha a quem devo a gentilíssima comunicação do material que apresento , são três códices com poesias de Edgar Mata e de Otávio Mata, seu parente, copiadas por várias mãos femininas.”; é o que também nos conta Andrade Muricy.