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[traduzido por Eric
Mitchell Sabinson]
III
Não sou grego; nem hei o
privilégio.
E, certo, não sou
romano:
ele não pode assumir
risco que conte,
muito menos o risco da
beleza.
Mas tenho meus afins,
houvesse razão alguma além-de
(como ele disse, seus
afins) eu me arrisco, e,
uma vez livre, eu seria velhaco
se não o fizesse. O que
é bem veraz.
A coisa dá nisso, não
obstante a desvantagem.
Por esclarecimento,
ofereço uma citação:
si j’ai du goût, ce n’est guères
que pour la terre et les pierres
Apesar da discrepância
(um oceano coragem idade)
Isto também é verdade:
se sei discernir
foi só porque me
interessei
pelo que foi chacinado ao
sol
A tua pergunta te
devolvo:
descobrirás mel / entre
os vermes da carniça?
Caço entre pedras
III
I am no Greek, hath not th’advantage.
And of course, no Roman:
he can take no risk that matters,
the risk of beauty least of all.
But I have my kin, if for no other reason than
(as he said, next of kin) I commit myself, and,
given my freedom, I’d be a cad
if I didn’t. Which is most true.
It works out this way, despite the disadvantage.
I offer, in explanation, a quote:
si j’ai du goût, ce
n’est guères
que pour la terre et les pierres.
Despite the discrepancy (an ocean
courage age)
this is also true: if I have any taste
it is only because I have interested myself
in what was slain in the sun
I pose you your question:
shall you uncover honey / where maggots are?
I hunt among stones
(The Kingfischers)
* Nota do tradutor Eric
Mitchell Sabinson: nos minitraços biobibliográficos de Charles Olson, constantes
deste Tranverso — coletânea de poemas traduzidos..., Sabinson propõe a pergunta:
“o que é um poema?” e responde que, “É, nas palavras de Olson, nada mais do que
energia transferida do lugar de onde o poeta a encontrou ao leitor, através do
verso. O verso, nascido do cérebro, viaja pelo ouvido à sílaba, o repositório
do intelecto. O verso também nasce no coração, e viaja pela própria respiração
do poeta ao poema. A respiração e o verso, em termos ontológicos, sinonimizam:
o começo e o fim da poesia é — e aqui prefiro o inglês — breath, o próprio bafo
da vida.”
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Transverso — coletânea de
poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio
de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas —
SP; Charles Olson (1910 — 1970), estadunidense de Worcester, Massachusets,
estudou literatura inglesa na Wesleyan University, doutorando-se em Harvard,
foi professor, ensaísta e poeta; consta de sua biografia ter sido o criador do
termo ‘pós-modernismo’; como professor, lecionou no Black Moutain College, onde
também tornou-se reitor; bibliografia: To Corrado Cagli (poesia, 1947), Letter
for Melville (poetry, 1951), Mayan Letters (1953), The Maximus Poems (1956),
Call Me Ishmael (1958), Projective Verse (ensaio, 1959), Human Universe and
Other Essays (1965) etc.

