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sexta-feira, 14 de março de 2025

Carl Sandburg: Carta aberta a Emily Dickinson

 
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[traduzido por Carlos Drummond de Andrade]

Cinco rosinhas pediram
a Deus, que chegasse perto,
a Deus, que testemunhasse.

Chama e espinho estavam dentro
e em torno das cinco rosas,
chama inquieta, voz de espinho.

Do mar um pingo
colhe de sal;
daquela estrela,
algo de névoa;
o ai de prata
de um coração.

Larga, abandona
ao móbil azul
da sombra mais rara.

Larga, abandona
à calma dos gongos,
à força dos gongos.

Divide com as chamas,
teu espinho elege,
para que Deus chegue perto,
para que Deus testemunhe.

Carl Sandburg

Public Letter to Emily Dickinson

Five little roses spoke
for God to be near them,
for God to be the witness.

Flame and thorn were there
in and around five roses,
winding flame, speaking thorn.

Pour from the sea
one hand of salt.
Take from a star
one finger of mist.
Pick from a heart
one cry of silver.

Let be, give over
to the moving blue
of the chosen shadow.

Let be, give over
to the ease of gongs,
to the might of gongs.

Share with the flamewon,
choose from your thorns,
for God to be near you,
for God to be witness.
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Poesia Traduzida: Carlos Drummond de Andrade [várias autorias], edição bilíngue, Organização e Notas de Augusto Massi e Júlio Castañon Guimarães, Introdução de Júlio Castañon Guimarães, Coleção Ás de colete, 2011, Cosac Naify, São Paulo — SP e 7 Letras, Rio de Janeiro — RJ; Carl August Sandburg (1878 1967), estadunidense de Galesburg, Illinois, fez os primeiros estudos à “trouxe-mouxe [de forma desordenada e sem conclusão], foi jornalista, poeta, historiador, novelista e folclorista; de família pobre, começou a trabalhar aos treze anos num vagão de leite e, nos seis anos seguintes, foi porteiro de barbearia, trocador de cenários num teatro barato, motorista de caminhão em olaria, aprendiz de torneiro, lavador de pratos em hotéis, ajudante de ceifeiro em trigais; tais experiências decerto o habilitaram mais do que qualquer educação livresca feita em dois períodos intervalados no Lombard College, de Galesburg, sem conclusão; teve seus primeiros poemas divulgados em 1904 e transpôs o anonimato em 1914 quando a revista Poetry: A Magazine of Verse publicou vários de seus textos; suas obras: Chicago Poems (1916), Cornhuskers (poesias, 1918), Smoke and Steel (poesias, 1920), Slabs of the Sunburnt West (poesia, 1922), Selected Poems (1926), Good Morning, America (1928); The People, Yes (poesia, 1936), Abraham Lincoln: The War Years (biografia, vários volumes, 1939), Complete Poems (1950) e outros títulos; Sandburg recebeu três Prêmios Pulitzer, dois de Poesia (1919, por Cornhukers, e 1951, por Completes Poems) e outro de História (1940, pelos quatro volumes de Abraham Lincoln: The War Years); o poeta apoiou o Movimento dos Direitos Civis [Civil Rights Movement] e foi o primeiro homem branco a ser homenageado pela National Association for the Advancement of Colored People NAACP.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Carl Sandburg: A grade

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

E foi concluída a casa de pedra fronteira ao lago e os trabalhadores
estão começando a grade.
A estacada é de varetas de ferro com pontas de aço, capazes de tirar a
vida a quem se derreie sobre elas.
Como grade é uma obra prima e sempre bloqueará os passos da ralé, dos vagabundos, dos famintos e de todos os garotos que andam à cata
de um lugar para brincar.
Por entre as barras e por sobre as pontas de aço nada pode passar, a
não ser a Morte, a Chuva e o dia de Amanhã.

Carl Sandburg

A fence

Now the stone house on the lake front is finished and the workmen are
beginning the fence.
The palings are made of iron bars with steel points that can stab the
life out of any man who falls on them.
As a fence, it is a masterpiece, and will shut off the rabble and all vagabonds and hungry men and all wandering children looking for a
place to play.
Passing through the bars and over the steel points will go nothing
except Death and the Rain and Tomorrow.
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Carl August Sandburg (1878 1967), estadunidense de Galesburg, Illinois, fez os primeiros estudos à “trouxe-mouxe” [de forma desordenada e sem conclusão], foi jornalista, poeta, historiador, novelista e folclorista; de família pobre, começou a trabalhar aos treze anos num vagão de leite e, nos seis anos seguintes, foi porteiro de barbearia, trocador de cenários num teatro barato, motorista de caminhão em olaria, aprendiz de torneiro, lavador de pratos em hotéis, ajudante de ceifeiro em trigais; tais experiências decerto o habilitaram mais do que qualquer educação livresca feita em dois períodos intervalados no Lombard College, de Galesburg, sem conclusão; teve seus primeiros poemas divulgados em 1904 e transpôs o anonimato em 1914 quando a revista Poetry: A Magazine of Verse publicou vários de seus textos; obras: Chicago Poems (1916), Cornhuskers (poesias, 1918), Smoke and Steel (poesias, 1920), Slabs of the Sunburnt West (poesia, 1922), Selected Poems (1926), Good Morning, America (1928); The People, Yes (poesia, 1936), Abraham Lincoln: The War Years (biografia, vários volumes, 1939) Complete Poems (1950) e outros títulos; Sandburg recebeu três Prêmios Pulitzer, dois de Poesia (1919, por Cornhukers, e 1951, por Complete Poems) e outro de História (1940, pelos quatro volumes de Abraham Lincoln: The War Years); o poeta apoiou o Movimento dos Direitos Civis [Civil Rights Movement] e foi o primeiro homem branco a ser homenageado pela National Association for the Advancement of Colored People NAACP.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Carl Sandburg: Monossilábico

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Permiti, Ó Senhor, que hoje eu seja monossilábico!
Ontem despejei uma catadupa de resmungos sobre um tonto e uma criança.
Hoje permiti-me ser monossilábico... um amigo afetuoso dos velhinhos que lavam os raios do sol nos dedos e se regalam com seus raios
morosos.

Carl Sandburg

Monosyllabic

Let me be monosyllabic to-day, O Lord.
Yesterday I loosed a snarl of words on a fool, on a child.
Today, let me be monosyllabic... a crony of old men who wash sunlight
in their fingers and enjoy slow-pacing clocks.
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Carl August Sandburg (1878 1967), estadunidense de Galesburg, Illinois, fez os primeiros estudos à “trouxe-mouxe” [de forma desordenada e sem conclusão], foi jornalista, poeta, historiador, novelista e folclorista; de família pobre, começou a trabalhar aos treze anos num vagão de leite e, nos seis anos seguintes, foi porteiro de barbearia, trocador de cenários num teatro barato, motorista de caminhão em olaria, aprendiz de torneiro, lavador de pratos em hotéis, ajudante de ceifeiro em trigais; tais experiências decerto o habilitaram mais do que qualquer educação livresca feita em dois períodos intervalados no Lombard College, de Galesburg, sem conclusão; teve seus primeiros poemas divulgados em 1904 e transpôs o anonimato em 1914 quando a revista Poetry: A Magazine of Verse publicou vários de seus textos; obras: Chicago Poems (1916), Cornhuskers (poesias, 1918), Smoke and Steel (poesias, 1920), Slabs of the Sunburnt West (poesia, 1922), Selected Poems (1926), Good Morning, America (1928); The People, Yes (poesia, 1936), Abraham Lincoln: The War Years (biografia, vários volumes, 1939) Complete Poems (1950) e outros títulos; Sandburg recebeu três Prêmios Pulitzer, dois de Poesia (1919, por Cornhukers, e 1951, por Complete Poems) e outro de História (1940, pelos quatro volumes de Abraham Lincoln: The War Years); o poeta apoiou o Movimento dos Direitos Civis [Civil Rights Movement] e foi o primeiro homem branco a ser homenageado pela National Association for the Advancement of Colored People NAACP.

domingo, 15 de agosto de 2021

Carl Sandburg: A relva

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Empilhem cadáveres em Austerlitz e Waterloo,
Solapem a terra bem por baixo e deixem-me trabalhar...
Sou a relva; eu cubro tudo.

Ergam rumas de corpos em Gattysburg,
Elevem aos céus altas pilhas em Ypres e Verdun.
Façam a terra ceder e deixem-me trabalhar.

Dois anos, dez anos, e os forasteiros perguntam ao guia:
Que lugar é este?
Onde estamos agora?

Sou a relva.
Deixem-me trabalhar.

Carl Sandburg

Grass

Pile the bodies high at Austerlitz and Waterloo,
Shovel them under and let me work 
I am the grass; I cover all.

And pile them high at Gettysburg
And pile them high at Ypres and Verdun.
Shovel them under and let me work.

Two years, ten years, and passengers ask the conductor:
What place is this?
Where are we now?

I am the grass.
Let me work.
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Carl August Sandburg (1878 1967), estadunidense de Galesburg, Illinois, fez os primeiros estudos à “trouxe-mouxe” [de forma desordenada e sem conclusão], foi jornalista, poeta, historiador, novelista e folclorista; de família pobre, começou a trabalhar aos treze anos num vagão de leite e, nos seis anos seguintes, foi porteiro de barbearia, trocador de cenários num teatro barato, motorista de caminhão em olaria, aprendiz de torneiro, lavador de pratos em hotéis, ajudante de ceifeiro em trigais; tais experiências decerto o habilitaram mais do que qualquer educação livresca feita em dois períodos intervalados no Lombard College, de Galesburg, sem conclusão; teve seus primeiros poemas divulgados em 1904 e transpôs o anonimato em 1914 quando a revista Poetry: A Magazine of Verse publicou vários de seus textos; obras: Chicago Poems (1916), Cornhuskers (poesias, 1918), Smoke and Steel (poesias, 1920), Slabs of the Sunburnt West (poesia, 1922), Selected Poems (1926), Good Morning, America (1928); The People, Yes (poesia, 1936), Abraham Lincoln: The War Years (biografia, vários volumes, 1939) Complete Poems (1950) e outros títulos; Sandburg recebeu três Prêmios Pulitzer, dois de Poesia (1919, por Cornhukers, e 1951, por Complete Poems) e outro de História (1940, pelos quatro volumes de Abraham Lincoln: The War Years); o poeta apoiou o Movimento dos Direitos Civis [Civil Rights Movement] e foi o primeiro homem branco a ser homenageado pela National Association for the Advancement of Colored People NAACP.

sábado, 26 de junho de 2021

Carl Sandburg: Expresso

 
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[traduzido por Oswaldino Marques]

Viajo num expresso de lugares reservados, um dos trens mais
luxuosos do país.
Quinze vagões, todos de aço, a conduzir um milhar de pessoas, disparam através da campina embrenhando-se na névoa azulada e no
ar escuro.
(Todos estes vagões um dia não serão mais do que sucata e metal enferrujado, e todos estes passageiros, que agora riem nos carros-
restaurantes e nos carros-dormitórios, nada mais do que cinza.)
No fumoir pergunto a um sujeito aonde vai, e ele me responde: "A
Omaha."

Carl Sandburg

Limited

I am riding on a limited express, one of the crack trains of the nation.
Hurtling across the prairie into blue haze and dark air go fifteen all-
stell coaches holding a thousand people.
(All the coaches shall be scrap and rust and all the men and women
laughing in the diners and sleepers shall pass to ashes.)
I ask a man in the smoker where he is going and he answers:
"Omaha."
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Poemas Famosos da Língua Inglesa [diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Carl August Sandburg (1878 1967), estadunidense de Galesburg, Illinois, fez os primeiros estudos à “trouxe-mouxe” [de forma desordenada e sem conclusão], foi jornalista, poeta, historiador, novelista e folclorista; de família pobre, começou a trabalhar aos treze anos num vagão de leite e, nos seis anos seguintes, foi porteiro de barbearia, trocador de cenários num teatro barato, motorista de caminhão em olaria, aprendiz de torneiro, lavador de pratos em hotéis, ajudante de ceifeiro em trigais; tais experiências decerto o habilitaram mais do que qualquer educação livresca feita em dois períodos intervalados no Lombard College, de Galesburg, sem conclusão; teve seus primeiros poemas divulgados em 1904 e transpôs o anonimato em 1914 quando a revista Poetry: A Magazine of Verse publicou vários de seus textos; obras: Chicago Poems (1916), Cornhuskers (poesias, 1918), Smoke and Steel (poesias, 1920), Slabs of the Sunburnt West (poesia, 1922), Selected Poems (1926), Good Morning, America (1928); The People, Yes (poesia, 1936), Abraham Lincoln: The War Years (biografia, vários volumes, 1939) Complete Poems (1950) e outros títulos; Sandburg recebeu três Prêmios Pulitzer, dois de Poesia (1919, por Cornhukers, e 1951, por Complete Poems) e outro de História (1940, pelos quatro volumes de Abraham Lincoln: The War Years); o poeta apoiou o Movimento dos Direitos Civis [Civil Rights Movement] e foi o primeiro homem branco a ser homenageado pela National Association for the Advancement of Colored People NAACP.