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[traduzido
por William Agel de Mello]
O touro não te conhece, nem a figueira,
nem cavalos nem formigas de tua casa.
O menino não te conhece, nem a tarde,
porque morreste para sempre.
O lombo da pedra não te conhece,
nem o chão negro em que te destroças.
Nem te conhece a tua recordação muda,
porque morreste para sempre.
O outono virá com caracóis,
uva de névoa e montes agrupados,
mas ninguém quererá mirar teus olhos,
porque morreste para sempre.
Porque morreste para sempre,
como todos os mortos da Terra,
como todos os mortos que se olvidam
em um montão de cachorros apagados.
Ninguém te conhece. Não. Porém eu te canto.
Eu canto sem tardança teu perfil e tua graça.
A madureza insigne do teu conhecimento.
A tua apetência de morte e o gosto de sua boca.
A tristeza que teve a tua valente alegria.
Tardará muito tempo em nascer, se é que nasce,
um andaluz tão claro, tão rico de aventura.
Canto-lhe a elegância com palavras que gemem
E recordo uma triste brisa nos olivais.
(Pranto por Ignacio Sánchez Mejías —
1935)
Alma ausente
No te conoce el toro ni la higuera,
ni caballos ni hormigas de tu casa.
No te conoce el niño ni la tarde
porque te has muerto para siempre.
No te conoce el lomo de la piedra,
ni el raso negro donde te destrozas.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.
El otoño vendrá con caracolas,
uva de niebla y monjes agrupados,
pero nadie querrá mirar tus ojos
porque te has muerto para siempre.
Porque te has muerto para siempre,
como todos los muertos de la Tierra,
como todos los muertos que se olvidan
en un montón de perros apagados.
No te conoce nadie. No. Pero yo te
canto.
Yo canto para luego tu perfil y tu gracia.
La madurez insigne de tu conocimiento.
Tu apetencia de muerte y el gusto de tu boca.
La tristeza que tuvo tu valiente alegría.
Tardará mucho tiempo en nacer, si
es que nace,
un andaluz tan claro, tan rico de aventura.
Yo canto su elegancia con palabras que gimen
y recuerdo una brisa triste por los olivos.
(Llanto por Ignacio Sánchez Mejías —
1935)
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Romanceiro Gitano e outros poemas —
Federico García Lorca, Tradução de William Agel de Melo, edição bilíngue, 1ª edição, 1993, Livraria
Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Federico García Lorca (1898 — 1936), espanhol
nascido em Fuente Vaqueros, região da Andaluzia, foi dramaturgo e poeta; escreveu
e publicou Impressões e Paisagens (prosa, 1918), Livro de Poemas (Libro de poemas,
1921), Ode a Salvador Dali (Oda a Salvador Dalí, 1926), Dona Rosita, a solteira
(teatro, 1927), Canciones — 1921 a 1924 (1928), Romancero Gitano — 1924 a 1927 (1928),
Ode a Walt Whitman (1933), Bodas de Sangue (teatro, 1933), Yerma (teatro, 1934),
Pranto por Ignacio Sánchez Mejías (Llanto por Ignacio Sánchez Mejías, 1935), Sonetos
do amor obscuro (Sonetos del Amor Oscuro, 1936), A Casa de Bernarda Alba (teatro,
1936) e muitos outros títulos em verso e prosa ou dramaturgia; Lorca, que teve parte
de sua obra só publicada postumamente (Diván del Tamarit, Poeta en Nueva York —
1929 a 1930, ambos em 1940, e outros), foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil
Espanhola; morreu fuzilado pelas tropas nacionalistas do General Franco, que acabou
por instalar a ditadura franquista na Espanha.









