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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lago Burnett: Soneto para a Poesia


Se te acumulo, irrompes imprevista,
áspera até, mas sempre feminina,
deixando esta impressão de quem domina
àquele que supõe que te conquista.

Por merecer-te, impus-me a disciplina
com que te atraio à solidão de artista
e se acaso não pode alçar-te a vista
me invades com teus olhos de assassina.

Quando te esqueço, vens a meu encalço
e teu beijo é tão íntimo e insonoro
que nem posso julgar um beijo falso.

Eu te colho no tempo, por descuido,
mas, se não vens, a lágrima que choro
bebo pensando que é teu próprio fluido.
O Amor e seus Derivados (1984)
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Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 40, Seleção e Prefácio de Luciano Rosa, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo SP; José Carlos Lago Burnett (1929 — 1995), maranhense de São Luís, foi poeta, cronista, jornalista e locutor de rádio; nos anos 40, participou do lançamento do jornal Letras da Província e das revistas O Saci e Afluente, na capital maranhense, e, no Rio de Janeiro, colaborou em diversos periódicos: Jornal do Brasil, Diário de Notícias e Última Hora; publicou Estrela do Céu Perdido (1949), O Ballet das Palavras (1951), Os Elementos do Mito (1953), 50 Poemas de Lago Burnett (1959), O Amor e seus Derivados (1984) etc.