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[traduzido por Mário Faustino]
Afortunados gênios, que pairais
Na luz acima, pelos prados férteis!
Leves, divinas brisas reluzentes
Vos acalentam
Como dedos de artista
Sobre cordas sagradas.
Despidos de destino, tal dormente
Recém-nascido, assim eles respiram.
Os celestiais: castamente aninhados
Em pétalas sensíveis
Florescem para sempre seus espíritos
E seus olhos benditos
Contemplam sempiterna
Claridade serena.
Ai de nós! que recanto
De repouso nos toca?
Desgraçados humanos
Tombamos e murchamos
Às cegas, de hora a hora
Como de fraga em fraga
A torrente se atira,
Anos abaixo, rumo
ao desconhecido.

Hyperions
Schicksalslied
Ihr wandelt droben im Licht
Auf weichem Boden, selige Genien!
Glänzende Götterlüfte
Rühren euch leicht,
Wie die Finger der Künstlerin
Heilige Saiten.
Schicksallos, wie der schlafende
Säugling, atmen die Himmlischen;
Keusch bewahrt
In bescheidener Knospe,
Blühet ewig
Ihnen der Geist,
Und die seligen Augen
Blicken in stiller
Ewiger Klarheit.
Doch uns ist gegeben,
Auf keiner Stätte zu ruhn;
Es schwinden, es fallen
Die leidenden Menschen
Blindlings von einer
Stunde zur andern,
Wie Wasser von Klippe
Zu Klippe geworfen,
Jahrlang ins Ungewisse hinab.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã,
(diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição
bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann
Christian Friedrich Hölderlin (1770 — 1843), alemão de Lauffen am Neckar, foi
poeta lírico, romancista e filósofo; bibliografia: A Morte de Empédocles (fragmentos, 1797—1800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (1797—1799),Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin
(editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826) etc.
