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Riqueza
Veio ao
meu quarto um besouro
de asas
verdes e ouro,
e fez do
meu quarto uma joalharia...
Poder estóico
Acuado
entre brasas,
um
escorpião volve o dardo
e faz o hara-kiri...
Encorajamento
Meu
desejo corre a ti com velas enfunadas...
Podes
dar-lhe um porto, sem nenhum receio:
ele não
traz âncora...
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Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor,
o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos
Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel
Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de
minitraços biobibliográficos:
‘Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.’
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Magma — João
Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos
de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ;
João Guimarães Rosa (1908 — 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo
Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico
pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata,
contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura
com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro;
em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito
e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras,
e, embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito
até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla
e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou
Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão
e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956),
Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias
(contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra
(diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã,
no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros
foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha,
Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras;
como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá)
e França (Paris).

