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[traduzido por Marcello Rolim Coelho]
Meu corpo é um mistério.
Enquanto esta coisa frágil viver,
sentirei o seu poder.
Eu redimirei o mundo.
Para isso corre em meus lábios o sangue de Eros
e o ouro de Eros em meus cachos fatigados.
Cansada ou de mau humor,
eu só preciso olhar: a terra é minha.
Ao deitar-me cansada em meu leito,
sei por certo: nesta mão fatigada está o destino do mundo.
É o poder que estremece em meu sapato,
é o poder que se move nas pregas de meu vestido,
é este poder diante do qual não há abismo, que está diante de vós.
Instinkt
Min kropp är ett mysterium.
Så länge detta bräckliga ting
lever
skolen I känna dess makt.
Jag skall frälsa världen.
Därför ilar Eros blod i mina
läppar
och Eros guld i mina trötta
lockar.
Jag behöver blott skåda,
trött eller olustig: jorden är
min.
Då jag ligger trött på mitt
läger,
vet jag: i denna tröttande
hand är världens öde.
Det är makten, som darrar i
min sko,
det är makten, som rör sig i
min klännings veck,
det är makten, för vilken ej
avgrund finns, som står framför eder.
(Framtidens skugga —
1920)
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Poemas: Edith Södergran [edição bilíngue] — Seleção e Tradução de
Marcello Rolim Coelho, 1ª edição brasileira: 2001, Grupo Editorial Cone Sul, São
Paulo — SP; Edith Irene Södergran (1892 — 1923), finlandesa-sueca, nascida em São
Petersburgo — Império da Rússia, foi poeta; ao que se sabe por sua biografia, Edith
não frequentou escola infantil, foi educada em casa, aprendeu alemão com professora
particular, língua mais falada na escola e entre seus amigos; de 1902 a 1909, estudou
na Höhere Mädchenschule, em São Petersburgo,
aprendeu “língua e literatura alemã, francesa, inglesa e russa” e outras
atividades culturais, porém não tendo nunca recebido instrução formal em sueco;
Edith Södergran, entre seus quatorze e dezesseis anos, “escreveu uns 225
poemas, dos quais vinte em língua sueca, cinco em francês e um em russo. Os
demais eram todos em alemão [influenciados pela poesia de Heinrich Heine]”, após esse período escreveu somente
no idioma sueco; aos 24 anos estreou na literatura com a coletânea de
poemas Dikter; de sua biografia,
também consta ter sido a poeta “uma das primeiras modernistas de língua sueca,
influenciada pelo simbolismo francês, expressionismo alemão e futurismo russo”;
suas obras: Dikter (Poemas — coletânea, 1916), Septemberlyran (A Lira de Setembro, 1918), Rosenaltaret (O
Altar da Rosa, 1919), Brokiga iakttagelser — aforismer (Observações Variadas — aforismos, 1919), Framtidens skugga (Sombra
do Futuro, 1920), Tankar om Naturen — aforismer (Reflexões sobre a Natureza, 1920, publicados na
revista literária modernista Ultra em 1922), Landet som icke är: postumt, redigerad
av Hagar Olsson (A Terra que Não É, póstumo, editado por Hagar Olsson, 1925), Vaxdukshäftet:
skrivet 1907—1909, under titeln
Ungdomsdikter 1907—1909, av Olof
Enckell (póstumo, O livreto de figuras
de cera: escrito entre 1907 e 1909, sob o título Poemas Juvenis 1907—1909, editado por Olof Enckell em 1961
e reeditado em 1997) ...; a poeta, que em 1908 havia contraído tuberculose
pulmonar e chegou a ser interna em sanatórios por alguns períodos, teve seus
últimos anos de vida “marcados pela doença e pela pobreza”