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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Rainer Maria Rilke: Relembrando

 
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[traduzido por Abgar Renault]

E esperas, tu esperas a só cousa
que aumentará sem fim a tua vida;
o poderoso, o raro,
o despertar das pedras,
pegos a ti voltados.

Na estante brilham fracamente
os livros pardos e dourados;
pensas em terras já viajadas,
quadros, vestes de mulheres
novamente perdidas.

Subitamente sabes: Foi assim.
Ergues-te, e à tua frente estão
de um ano extinto
a angústia e a forma e a prece.

Rainer Maria Rilke

Erinnerung

Und du wartest, erwartest das Eine
das dein Leben unendlich vermehrt;
das Mächtige, Ungemeine,
das Erwachen der Steine,
Tiefen, dir zugekehrt.

Es dämmern im Bücherständer
die Bände in Gold und Braun;
und du denkst an durchfahrene Länder,
an Bilder, an die Gewänder
wiederverloren Fraun.

Und da weisst du auf einmal: Das war es.
Du erhebst dich, und vor dir steht
eines vergangenen Jahres
Angst und Gestalt und Gebet.

(Das Buch der Bilder — 1902)
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã [diversos autores e tradutores], Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, coleção Clássicos de Bolso nº 82128, 1985[?], Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Rainer Maria Rilke (1875 1926), ou René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke, austríaco de Praga (antigo Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca), poeta e novelista, fez seus estudos na Deutsche Universität, em Praga, na Ludwig-Maximilians-Universität, em Munique, e em Berlim; como estudante, deu início ao aprendizado de literatura, história da arte e filosofia, depois mudou para Direito; o poeta, um quase nômade, andejou por muitos países na Europa; no início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, Rilke residia em Munique e ali permaneceu até o término do conflito; escreveu e publicou Leben und Lieder (Vida e Canções, 1894), Larenopfer (Oferenda aos lares, 1895), Das Buch der Bilder (O Livro das Imagens, 1902), Die Weise von Liebe und Todd es Cornets Christoph Rilke (A Canção do amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, 1904), Stundenbuch (O Livro das Horas, 1905), Neue Gedichte (Novos Poemas, 19071908), Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge (romance, Os Cadernos de Malte Laurids Brigge, 1910), Das Marien Leben (A Vida de Maria, 1913), Duineser Elegien (Elegias de Duíno, 1923), Sonette an Orpheus (Sonetos a Orfeu, 1923), Briefe an einen jungen Dichter (Cartas a um Jovem Poeta, publicação póstuma, 1929) etc.; Rilke também escreveu poemas em francês e textos para apresentação dramática.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Stefan George: Aniversário

Resultado de imagem para o livro de ouro da poesia alemã (em alemão e português) ediouro
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[traduzido por Abgar Renault]

Toma o cântaro irmã, de argila pálida,
e vem comigo, pois não esqueceste
o que em renovação devota amamos.
Sete verões lá vão que, buscando água
a conversar, ouvimos que morreram
nossos noivos naquele mesmo dia.
No prado, onde um pinheiro com dois choupos
vive, vamos encher de água da fonte
os nossos cântaros de argila pálida.

George-Kreis - Wikipedia
Stephan George

Jahrestag

O Schwester nimm den Krug aus grauem Thon,
Begleite mich! denn du vergassest nicht
Was wir in frommer Wiederholung pflegten.
Heut sind es sieben Sommer dass wirs hörten
Als wir am Brunnen schöpfend uns besprachen:
Uns starb am selben Tag der Bräutigam.
Wir wollen an der Quelle wo zwei Pappeln
Mit einer Fichte in den Wiesen stehn
Im Krug aus grauem Thone Wasser holen.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; bibliografia: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892) Die Bücher der Hirten - und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899), Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.