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sábado, 17 de agosto de 2019

José Asunción Silva: A um pessimista

Resultado de imagem para Cinco Séculos de Poesia Alexei Bueno editora Record
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[traduzido por Alexei Bueno]

Há sombra demasiada nas visões
Que tens, algo de plácido há na vida,
nem tudo na existência é uma ferida
Da qual o sangue jorre aos borbotões.

A luta tem descanso, e ainda as paixões
Agonizantes, e a afeição perdida,
Tudo que amamos e que o tempo olvida
E nos cobre de rudes decepções.

Mas, por que duvidar, se nos reservam
No futuro remoto e em tudo obscuro
Fundas calmas e vividas bonanças

A ternura profunda, o beijo puro,
E femininas mãos que a amar preservam
Os berços cor-de-rosa das crianças?

José Asunción Silva

A
un pessimista

Hay demasiada sombra en tus visiones,
algo tiene de plácido la vida,
no todo en la existencia es una herida
donde brote la sangre a borbotones.

La lucha tiene sombra, y las pasiones
agonizantes, la ternura huída,
todo lo amado que al pasar se olvida
es fuente de angustiosas decepciones.

Pero, ¿por qué dudar, si aún ofrecen
en el remoto porvenir oscuro
calmas hondas y vívidos cariños

la ternura profunda, el beso puro
y manos de mujer, que amantes mecen
las cunas sonrosadas de los niños?

Brienz, 1885
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Cinco séculos de poesia (diversos autores) — poemas traduzidos, Tradução e Prefácio de Alexei Bueno, edição bilíngue, 2013, Editora Record, São Paulo — SP; José Asunción Silva (1865 1896), nascido José Asunción Salustiano Facundo, colombiano de Bogotá, estudou no Liceu de la Infancia e no Colegio de San José, foi poeta considerado pela crítica como um dos precursores do modernismo (no Brasil, corresponderia ao simbolismo ou, talvez, à primeira geração dos modernistas); muitos de seus manuscritos (os originais de Livro dos Versos e Contos Negros, que o poeta pretendia publicar), perderam-se em um naufrágio do navio a vapor America, que o trazia da Venezuela, em 1895; bibliografia: Intimidades (poemas escritos entre agosto de 1880 a maio de 1884, publicados em 1977), De Sobremesa, além de textos esparsos em revistas e periódicos da época; José Asunción Silva cometeu suicídio em maio de 1896, aos 30 anos.