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domingo, 11 de dezembro de 2022

Adriana Gragnani: cliques I — concretos olhares de Adriana

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você praça ...

... você prédio ...

... na memória
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Adriana Gragnani, uma pirada no ponto formada em direito, pinta, borda e desborda em sampa; busca ângulos concretos e abstratos e fotografa.

domingo, 29 de maio de 2022

Ana Crescêncio: Flor de Loi*

 
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          Sempre que passava pela casa da vizinha parava extasiada a admirar uma flor roxa pendurada na parede da casa.
          Ela sempre teve muitas flores, dentro de casa também.
          Mas a minha preferida era aquela roxa, plantada num galão de produtos de limpeza.
          Era o sol da manhã a chegar e a combinação explodia numa beleza inexplicável, coisa de artistas, pensava eu.
          Ocorre que até hoje nunca soube com certeza por que aquela flor num galão de plástico trancava em mim.
          Duas semanas atrás a vizinha me deu a flor.
          Feliz da vida, pendurei no canto do beija-flor.
          Hoje a vizinha partiu.
          Finalmente entendi tamanha delicadeza.
          Aquela flor no galão de limpeza tem melodia, uma melodia tanta e tão gentil de histórias que encontrou eco e garantiu as memórias que nos colocam de pé.
          A mim e ao povo todo da rua.

          Certeza que segue em paz.
          Gracias, Loi.

25 de maio de 2022


* Nota deste Verso e Conversa: O título desta crônica está sendo acrescentado e é de total responsabilidade do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página.
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Ana Crescêncio fotografa, faz crônicas, estudou Violência Social e Segurança Pública na UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mora em Taquara RS, é filha de dona Nesta e o seu João, tem cães e gatos...; e mais não sei, ela não me disse e eu não perguntei; foi o pesquisado.

domingo, 21 de dezembro de 2014

laboratório: perdidolharemconcrethorizonte


perdidolharemconcrethorizonte
odorescoresvãosdesvãosparedes
sacisduendesmanequinsestátuas
janelasfrestasparaumcéudistante

muroabstratodetijoloslógicos
ralosescombrosburacoderato
pedrascanteiroretorcidogalho
mofoeruínagerminandoonovo
 
presenteeternoqueconduzavícios
choroesorrisosacausaralarde
clínicoolhoperenizaoefêmero

alguémnoturnorespirandoasfotos
gritoesilênciotrespassandoavida
cidadeacolhadebraçosabertos!

fotosAdriana Gragnani  textoGenésio dos Santos
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Adriana Gragnani busca ângulos concretos e abstratos e fotografa; Genésio dos Santos, ativista da palavra, é aprendiz de blogueiro.

laboratório: sonetempero

 
cheiroverdeoutrascoresoutroscheiros
camomilafunchocravogergelim
cebolinhapimentãosalsalecrim
coloríficohortelãpápricalouro
segurelhalhoporótomilhozimbro
rosmaninhocardamomoaçafrão
finesherbesalfavacaipolimão
ervadocealcaparracurryendro
alcaráviamangeronanizmostarda
cogumelodillmastruzamendoim
raizfortecurcumapimentabranca
nozmoscadasalgengibrekümelcoentro
cerefóliobaunilhamanjericão
shoyuallspicecanelacominhorégano

fotosAdriana Gragnani  textoGenésio dos Santos
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Adriana Gragnani busca ângulos concretos e abstratos e fotografa; Genésio dos Santos, ativista da palavra, é aprendiz de blogueiro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Autoria desconhecida *: Menino da rua

Fotógrafo: João Machado
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Menino da rua, que pinta e que esbanja, 
Que foge de casa, que furta laranja,
Do nosso quintal...
Que atiça cachorro, que joga bolinha,
Que engraxa sapatos, que xinga a vizinha.
Que vende jornal...

Menino da rua, moleque vadio,
Que fuma bagana, que nada no rio
Em dias de sol...
Que grita, que briga, que faz arruaças,
Que estraga os telhados, que quebra as vidraças
Com o seu futebol...

Menino da rua, que foge da escola
Que forma seu bando de gente gabola
Nos becos sem luz...
Que diz nome feio, que cospe e esconjura,
Que segue o palhaço, que mente, que jura
Com os dedos em cruz...

Menino da rua que pisa a enxurrada,
Que senta no chão, que suja a calçada,
Que é bamba dos bravos...
Que põe apelidos, que apanha foguetes,
Que busca recados, que leva bilhetes...
Por vinte centavos...

Menino da rua, magrinho e briguento,
Que quase não come, que dorme ao relento,
Sem nada queixar...
Que vai ao cinema, que banca o mocinho,
Que canta e assobia, que sofre sozinho.
Que vive sem lar...

Menino da rua, de brecha na testa,
De calça rasgada, que em dia de festa
A gente não vê...
Que joga baralho, que pula, que salta,
Que briga de pique... menino peralta,
Invejo você!
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Este poema, de autoria desconhecida por enquanto, fez parte da minha pré-adolescência em Iperó SP. Tomei contato com o texto em 1965, quando eu tinha doze anos e cursava a primeira série do antigo ginásio em Boituva, uma cidade próxima de Iperó. Constava do livro didático à época, e do qual também não retive o nome do autor. Quanto esquecimento! Já bem recentemente, nas minhas pesquisas googleanas e que tais, consegui recuperar tão somente o texto do poema, mas nada nem sinal do nome do ou da poeta. Nas visitas que ainda faço em sebos, sinto-me como que procurando agulha em palheiro. Outra informação: o poema 'Menino da Rua' foi publicado no jornal O Agudense, número 17, de 16.06.1960  direção de Édio Sormani, de Agudos — SP. Descobri isso recentemente e, claro, ali também não consta a autoria.

Fica a dica, para quem quiser colaborar: Que tal continuarmos a pesquisa? Grato, desde já.

sábado, 13 de setembro de 2014

Genésio dos Santos: quatorzeletrasquatorzelinhas

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(setembro de 2014)
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 a 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Carlos Drummond de Andrade: Poema de Sete Faces

["Vai, Carlos! ser gauche na vida."]

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A Mário de Andrade, meu amigo

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Alguma Poesia, 1930

Carlos Drummond De Andrade - Reunião
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Reunião — 10 Livros de Poesia — Drummond, Introdução de Antônio Houaiss, Quinta edição, Livraria José Olympio Editora, 1973, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987), poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952) Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Noticias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e tantos outros...