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Só, na sombria sala em vão medito,
E os velhos temas rememoro e afago;
Ah! Com que sabor delicioso eu trago
Este imortal e luminoso escrito!
E os velhos temas rememoro e afago;
Ah! Com que sabor delicioso eu trago
Este imortal e luminoso escrito!
Vem do passado, e por senti-lo
fito
A letra e a cor do pergaminho vago,
De cujo traço um réquiem esquisito
Percebe, em sonho, o coração pressago.
A letra e a cor do pergaminho vago,
De cujo traço um réquiem esquisito
Percebe, em sonho, o coração pressago.
Lá fora a tarde se amortece e
apaga,
E fria e funda escuridão mortuária
Por toda a sala imota se propaga.
E fria e funda escuridão mortuária
Por toda a sala imota se propaga.
Horas de círios pelo espaço torvo,
Sonho, escutando n´alma funerária,
Sonho, escutando n´alma funerária,
De asas abertas, crocitar um corvo.
(Cópia fornecida pelo autor)
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Panorama do Movimento Simbolista
Brasileiro — Volume 1, por Andrade Muricy, (Coleção de Literatura Brasileira
12), 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro,
Brasília — DF; Artur de Miranda Ribeiro (1869 — 1950), mineiro de Rio Preto,
formado em Engenharia Civil na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, foi
engenheiro, poeta e jornalista; trabalhou como revisor e redator em O País, redator
do Diário de Notícias, do Novidades e da Revista Ilustrada, periódicos do Rio
de Janeiro; criou o jornal ilustrado O Besouro e foi co-fundador da Crônica
Ilustrada e do Dom Quixote; O poeta, tido como um dos “mosqueteiros” do
Simbolismo, deixou sua marca em prol deste movimento em muitos artigos
críticos e extensas discussões nos cafés literários da época; sua obra, poesias
e artigos, encontra-se esparsa nos jornais e revistas daquele período; o poeta
conservou inédito um livro de versos, Névoa.