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LVII
Há este céu duro
Empedrado de ventos.
Eternidade és tu, meu ódio-amor
Senhor do meu sentimento.
Há este Nunca-Mais
Ancorado no Tempo.
E uma só tarde num aroma de ruas
De mogorim, de aves.
E há refrões e ágatas
Nas praças
Daquele paraíso de ilusões.
E barcas, pedras roladas
Extensos esgarçados
Eternidade de nós, meu ódio-amor
No SEMPRE-NUNCA MAIS.
(Cantares de perda e predileção — 1983)

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Cantares — Hilda Hilst, Organização
e plano de edição de Alcir Pécora, 2002, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de
Almeida Prado Hilst (1930 — 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade
de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia,
Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do
Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária
(1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão
(1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas
Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas
(1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós
(1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio
(1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I
(2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora
de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol,
inglês e alemão; em 1965, em Campinas — SP, construiu a Casa do Sol, ali passou
a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do
Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora
trabalhou.








