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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Benedito Cunha Melo: Mandacaru

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Vejo-te sempre às margens dos caminhos
Ou nas caatingas secas, à adustão
Do sol exposto, expostos aos redemoinhos,
Mandacaru bravio do sertão.

Em ti não fazem festa os passarinhos...
Como os teus cardos agressivos são!
Mandacaru, conheço-te os espinhos!
Já uma vez tu me feriste a mão.

Ferido embora, não te amaldiçôo...
Acostumei-me à dor e é comovido
E quase com prazer que te perdôo.

Pois na vida — esse agreste de aflição 
Quantos mandacarus me têm ferido,
Mandacaru bravio do sertão?!

(Versos Diversos  1948)
O Brasil que os poetas cantam  Edgar Rezende

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Nova Antologia Brasileira da Árvore — Maria Thereza Cavalheiro, Prefácio de Guilherme de Almeida, e Organização e Apresentação de Maria Thereza Cavalheiro, 1974, 1ª edição, Livraria Editora Iracema, São Paulo — SP; Benedito Tavares da Cunha Melo (1911  1981), pernambucano de Goiana, foi jornalista e poeta; fundador e redator-chefe do Jaboatão Jornal, de Jaboatão dos Guararapes  — PE, onde mantinha a coluna predominantemente satírica, ‘Trovas e Trovoadas’, escreveu e publicou Folhas Secas (1939), Versos Diversos (1948), Nuvens de Pó (1949), Perfis (1954), Da Morte, Folhas Secas e Outras Trovas (1954), Trovas e Trovadores (com Bezerra da Cunha, Fernando Burlamaqui e Rodovalho Neves, 1962), Canto de Cisne (1980).